<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194</id><updated>2012-02-14T02:52:07.889Z</updated><title type='text'>Crónicas de Ana Rute</title><subtitle type='html'>"Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples, tem só duas datas - a do meu nascimento e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus." Alberto Caeiro</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>137</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2241499975316229010</id><published>2012-02-10T22:38:00.000Z</published><updated>2012-02-10T22:38:18.796Z</updated><title type='text'>walking in my shoes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre gostei de sapatos. Porque pisam uma data de coisas que não servem para nada. Porque são pisados, uma vez ou outra, também. Porque precisam de graxa mas sabem viver sem ela. Porque caminham e correm e estão na moda e passam de moda e deixam de servir. Porque sabem sobre os dias em que dou passos pensativos e pontapés e pulos e em que faço perguntas que mais ninguém ouve. Porque me dão poder nas alturas em que um tacão basta para chegar onde é preciso. Porque me dão liberdade quando é necessário sacudir a gravilha e só sair dali. Porque não se cansam de todos os dias em que as pernas querem ser incansáveis. Gosto de sapatos porque eles medeiam esse encontro entre os meus pés e a terra, que é o lugar onde todos os pés deviam parar por um tempo. Gosto de sapatos porque eles sobrevivem a todas as caminhadas e sabem de mim o que eu só desconfio. Gosto de ter caminhado até aqui hoje. Três meses depois, três anos depois. E saber que vou poder escolher entre calçar e descalçar todos os sapatos em que me quiserem meter. E decidir se quero chegar calçada ou descalça, se quero parar ou não parar no lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2241499975316229010?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2241499975316229010/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2012/02/walking-in-my-shoes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2241499975316229010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2241499975316229010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2012/02/walking-in-my-shoes.html' title='walking in my shoes'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8439900979600344336</id><published>2011-11-09T23:47:00.002Z</published><updated>2011-11-12T15:20:51.277Z</updated><title type='text'>Let it rain</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As toalhas de papel dos restaurantes práticos servem para os artistas escreverem desenhos e para os poetas desenharem estrofes. E para os casais apaixonados imortalizarem juras de amor. As toalhas de papel dos restaurantes práticos servem para sujar, para rasgar ou para guardar. Servem para alimentar de instantes extraordinários a selva medonha da vida vulgar.&amp;nbsp;As toalhas de papel dos restaurantes práticos servem para ensopar as pingas de chuva que escorrem dos casacos e dos cabelos nas noites escuras. Servem para acamar restos de comida e vinho derramado e grãos e migalhas de todas as espécies. Servem para aparar a amargura dos gritos ou a doçura dos&amp;nbsp;sussurros ou o alarde das gargalhadas durante a refeição.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante escrever isto, que tenho como uma evidência. Há desenhos que não têm aproveitamento e há estrofes que ninguém lê. E há juras de amor que alguns teimarão em esquecer. Secam as pingas de chuva dos casacos e dos cabelos. As noites escuras vão desaguar na alvorada duma manhã qualquer. O vinho derramado já não volta para o copo e as migalhas nunca vão passar disso mesmo. Resta a amargura, a doçura e o alarde. As toalhas de papel dos restaurantes práticos servem para dar as boas-vindas à vida verdadeira que nos servem à mesa, onde repousamos os talheres da selva medonha da vida vulgar. Servem para embrulhar os resíduos descartáveis dos momentos de prazer durante a refeição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8439900979600344336?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8439900979600344336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/11/let-it-rain.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8439900979600344336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8439900979600344336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/11/let-it-rain.html' title='Let it rain'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8369152115689933394</id><published>2011-11-05T19:40:00.000Z</published><updated>2011-11-05T19:40:27.166Z</updated><title type='text'>Attraversiamo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há coisas que são sempre uma montanha ou um abismo. Ou, por outra, as melhores coisas são sempre, simultaneamente, uma montanha e um abismo. Os momentos determinantes são assim e as pessoas determinantes também. Não são só uma estrada inconsequente que percorremos, sem emoção, rumo a qualquer parte. Não. São uma travessia extasiada entre dois pontos mais ou menos vertiginosos e que pode acabar num cume ou num fundo, com consequências diversas para todas as partes. Nenhuma outra nos pode fazer mais coloridos e mais acordados e mais crescidos e, no fim de contas, mais felizes. As coisas importantes são sempre um salto tresloucado que pode acabar num voo ou num trambolhão. A vida desvairada que se vai alimentando do vício do verbo desejar. A coragem mais sincera de todas é suficiente para colocar o pé na outra ponta do patamar. E para chamar as coisas pelos nomes, avançando para esse lugar onde qualquer paladar vai ter outro sabor. Tudo ou nada. Atravessamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8369152115689933394?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8369152115689933394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/11/attraversiamo.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8369152115689933394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8369152115689933394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/11/attraversiamo.html' title='Attraversiamo'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4373290101556380158</id><published>2011-10-13T00:42:00.000+01:00</published><updated>2011-10-13T00:42:52.455+01:00</updated><title type='text'>Problema de expressão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E cruzo-me contigo para escrevera primeira página do primeiro capítulo de um livro charmoso e bem paginado aoqual, um dia, daremos um nome invulgar. Colas as imagens num espaço semreferentes e esquissas desenhos a eixo na minha folha branca. O nosso universotem um corpo maior do que o orvalho daquela noite e o nosso fundo assenta namassa que tu tratas de colorir quando pousas esses olhos honestos sobre mim. Háuma paleta de aspirações que nos acompanha, alinhada com dois retratos dereceios, em cada linha deste texto. Vamos deixá-los respirar, por agora, noverso de um vestibular sem edição. Os teus braços vão levar-me ao colo desde omeu índice até ao teu infinito, donde partiremos, sem alinhamento, para maisalém. A minha prosa com a tua, tipo poesia selvagem, não tem parágrafos nemexpressão. Será impressa assim mesmo, numa tela interdita sem margem e semsangramento. Onde guardas, ao mesmo tempo, o meu problema e a minha solução.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4373290101556380158?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4373290101556380158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/10/problema-de-expressao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4373290101556380158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4373290101556380158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/10/problema-de-expressao.html' title='Problema de expressão'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8776238705975307437</id><published>2011-09-17T12:45:00.000+01:00</published><updated>2011-09-17T12:45:28.382+01:00</updated><title type='text'>One way or another</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De uma forma ou de outra, a resistência será sempre a força de quem fraqueja. Venham os enxovalhos, as tareias, as palavras mal amanhadas. Venham os narizes esfolados, o sabor a relva, as minhas mãos arranhadas. Disponham sempre. Um dia atiraremos as cadeiras, perderemos o tino, as estribeiras. Desgostemos de tudo para chegar onde for.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De uma forma ou de outra, estaremos sempre sujeitos uns aos outros. As pessoas erradas chegarão no tempo certo. E nunca haverá um mau momento para a pessoa acertada. Um dia trocaremos os atalhos pela estrada. Imunes a toda a rudeza, a toda a poeira que nos confunda. Eu e tu, sabes bem, nós ainda vamos chocar numa rotunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De uma forma ou de outra, a estimada alegria vai sempre espreitar. Sublime e intensa, singular. Por um instante, o trono escorreito de ser só súbdito de si próprio. O descanso de todos os cansaços, as mazelas sanadas. Não importa se as preparamos cozidas ou assadas. Mais desta forma do que doutra, levaremos o fado ao seu lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Hoje e agora, no topo do mundo, onde as tempestades desabam, onde repousa mais luz. Vamos gritar à vontade, brindar à verdade que nos conduz. De uma forma ou de outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8776238705975307437?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8776238705975307437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/09/one-way-or-another.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8776238705975307437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8776238705975307437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/09/one-way-or-another.html' title='One way or another'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6340389528776561565</id><published>2011-09-07T00:25:00.000+01:00</published><updated>2011-09-07T00:25:47.561+01:00</updated><title type='text'>Dou-te um doce</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje lembrei-me daquela bola-de-berlim que comi na praia. Redonda e fresca, encaixada dentro de um vento quente. Entretida entre a força do sol e a brandura do mar.﻿ Uma bola-de-berlim trincada a eito, com açúcar, com creme, com areia da praia, com tudo a que tenho direito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje sei que a vida boa é uma colcha de remendos, uma costura rendilhada de vários pequenos prazeres. Nela moram todas as bolas-de-berlim comidas na praia, todos os passeios de mão dada, as amizades doces, os serões de amêndoas amargas, o som da água salgada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje lembrei-me que o mundo também pode ser um bolo frito, redondo e fresco. Uma bola recheada de boa gente. Pessoas saborosas como o creme de ovos acabado de fazer. E talvez haja dias para comer areia. Mas eles passam sempre. O que importa é a degustação, convicta, contemplativa, com paladar. A eito. Com tudo a que temos direito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6340389528776561565?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6340389528776561565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/09/dou-te-um-doce.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6340389528776561565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6340389528776561565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/09/dou-te-um-doce.html' title='Dou-te um doce'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-17098640804542931</id><published>2011-08-24T00:01:00.000+01:00</published><updated>2011-08-24T00:01:41.158+01:00</updated><title type='text'>Lazy song</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje não me apetece fazer nada. Nem metáforas nem anáforas nem hipérboles nem eufemismos. Nem lógicas para&amp;nbsp;vírgulas, cuidadosamente posicionadas, em frases com ponto final. Nem me apetece querer ser eficiente e&amp;nbsp;perspicaz e conveniente. Hoje talvez nem seja necessário querer ser inteligente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só&amp;nbsp;é preciso&amp;nbsp;adormecer sobre um sofá qualquer. Acordar sem relógio e arrancar para parte nenhuma. E tomar o pequeno-almoço noutra caneca, noutra mesa, outra coisa. Sem tomar ao mesmo tempo o que era antes e o que vai ser depois. Só eu e a minha manhã numa caneca diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu voltar, talvez haja deveres, apetites, tarefas a arder por toda a parte. Por ora, a única coisa que escalda é a areia da praia. Da preguiça que me chama. E o mar, inundado de inconsequência, que me quer mergulhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-17098640804542931?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/17098640804542931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/lazy-song.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/17098640804542931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/17098640804542931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/lazy-song.html' title='Lazy song'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8039055016940090388</id><published>2011-08-08T22:16:00.000+01:00</published><updated>2011-08-08T22:17:00.474+01:00</updated><title type='text'>I can see clearly now</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou devagarinho, pela ponta duma pestana.&amp;nbsp;Depois instalou-se, de repente. Era o franzir do sobrolho, o esfregar os olhos. Era enxergar um mundo&amp;nbsp;amuado em tom turvo. Era a falta de nitidez para poder apreciar o pormenor na lonjura. Era o horizonte a acabar cedo demais. Era a visão, na sua dimensão mais quotidiana e elementar, a fugir-me da vista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A incapacidade para ver será, em todos os sentidos e dimensões possíveis, uma questão limitativa. Cada qual vai alimentando uma espécie muito particular de miopia, impedindo-se de focar, em simultâneo, duas dimensões. O que está próximo e o que está afastado, o que é prioritário e o que é secundário, o que importa e o que não interessa. Toda a óptica do essencial tem o seu requinte. E, para todos os que o procurem, existirão os mais preciosos óculos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora já os tenho aqui, no seu poleiro, no topo do mundo, sentados em cima do meu nariz. Agora ficou tudo mais claro. As legendas dos filmes, as copas das árvores, a expressão dos rostos. Toda e cada coisa que está para além do&amp;nbsp;que as&amp;nbsp;mãos conseguem agarrar. Agora já percebi que, por vezes, não temos o alcance para chegar ao detalhe que é preciso. Que, talvez com uns óculos, seja possível ver a vida melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8039055016940090388?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8039055016940090388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/i-can-see-clearly-now.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8039055016940090388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8039055016940090388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/i-can-see-clearly-now.html' title='I can see clearly now'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3544521075539854753</id><published>2011-08-01T22:47:00.000+01:00</published><updated>2011-08-01T22:48:02.200+01:00</updated><title type='text'>Mea culpa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei bem se a procura da culpa é uma tendência feminina ou se é uma tendência cristã ou se é uma tendência humana. Sei apenas que a assunção da culpa é uma mistura esquisita de masoquismo com responsabilidade.&amp;nbsp;Uma espécie de mochila de campismo cheia de tralha&amp;nbsp;que se leva às costas e que não nos deixa chegar a acampar, efectivamente,&amp;nbsp;em lado nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei bem se é a minha inteligência ou se é a minha burrice que me manda assinar os papéis deste negócio estúpido de compra e venda de acusações. Sei apenas que talvez haja delitos sem dono e arguidos sem rosto&amp;nbsp;e processos&amp;nbsp;prescritos sem sanções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei bem se a grande culpa é cometer um erro ou se o maior erro é culpar-se demais. Sei apenas que, por vezes, há um travo de insanidade na culpa.&amp;nbsp;Um delírio feito de mentiras e temperado de certezas. Em que a&amp;nbsp;consciência e a&amp;nbsp;inconsciência são iguais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3544521075539854753?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3544521075539854753/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/mea-culpa.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3544521075539854753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3544521075539854753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/08/mea-culpa.html' title='Mea culpa'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2626071023120950408</id><published>2011-07-19T23:29:00.002+01:00</published><updated>2011-07-19T23:29:53.770+01:00</updated><title type='text'>O poder das palavras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/Md-2gq1WCVk/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Md-2gq1WCVk&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/Md-2gq1WCVk&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2626071023120950408?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2626071023120950408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/o-poder-das-palavras.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2626071023120950408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2626071023120950408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/o-poder-das-palavras.html' title='O poder das palavras'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6649622487935229475</id><published>2011-07-12T01:02:00.000+01:00</published><updated>2011-07-12T01:02:18.061+01:00</updated><title type='text'>Paradise lovers</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes, durante estes anos tenho-me sentado à mesa com outras pessoas. O mesmo duelo desnudo entre dois que se dão. Olhos nos olhos, degladiam-se as vontades do mundo e os votos profundos de cada qual. Uma ponte entre duas ilhas desabitadas donde desembarcamos, por momentos, sem nós. No início é sempre igual, os copos cheios. As almas vazias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabei por te encontrar antes de terem passado vinte anos. As explicações podem ficar noutro tempo, em cima de uma mesa qualquer. O mesmo absurdo que despachou a nossas malas para parte incerta, veio depositar-nos aqui. Talvez as fantasias se tenham dissolvido no líquido em que afogámos as mágoas. Outros sonhos náufragos poderei devolver, embrulhados em trovas, numa garrafa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante anos, a mesma sensação de tontura. O poder invencível da partilha. Primeiro desfiamos as feridas mais graves da terra. Depois, desterrados de tudo,&amp;nbsp;desafiamos a gravidade. Desfeitas as dúvidas, desmorona-se o corredor entre as margens. Cada um para o seu canal sem destino, isolado. No fim, sempre assim. Na extremidade das almas cheias, os copos vazios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6649622487935229475?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6649622487935229475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/paradise-lovers.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6649622487935229475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6649622487935229475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/paradise-lovers.html' title='Paradise lovers'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4659834873540055456</id><published>2011-07-04T23:45:00.000+01:00</published><updated>2011-07-04T23:45:00.166+01:00</updated><title type='text'>People are strange</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as manhãs, a mesma caneca amarela com meio litro de leite frio. A mesma torrada com margarina. O mesmo pão com oito cereais. A mesma concentração com que&amp;nbsp;mastigo este mesmo pequeno-almoço enquanto ouço com a mesma atenção as músicas antigas da mesma estação de rádio.&amp;nbsp;Os mesmos vestidos, os mesmos nós no cabelo, as mesmas sandálias compensadas. O mesmo gesto com as chaves de casa, sem fazer barulho. Saio. Bons dias ao vento e ao fresquinho, ao vizinho, ao senhor que foi comprar o jornal. Lá ficam os&amp;nbsp;mesmos rascunhos desorganizados sobre a mesa, os mesmos vincos sobre a colcha, a mesma persiana entreaberta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias esta mesma particularidade patética de ser fiel a um cunho absurdo de mim própria. Fazer de conta que tenho a vida organizada, que sei o que me espera nesse lugar para onde vou. A mesma alimentação com substância para fazer face a qualquer desalento substancial. O mesmo ritual de arranjar em frente ao espelho a imagem conservada do que sou.&amp;nbsp;A mesma mesmice inspirada na possibilidade de fazer tudo da mesma maneira e, mesmo assim,&amp;nbsp;poder ter um dia diferente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4659834873540055456?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4659834873540055456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/people-are-strange.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4659834873540055456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4659834873540055456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/07/people-are-strange.html' title='People are strange'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7623054596670920884</id><published>2011-06-21T21:49:00.000+01:00</published><updated>2011-06-21T21:49:42.666+01:00</updated><title type='text'>Uma noite vou dançar até de manhã.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma noite vou&amp;nbsp;dissolver-me na música&amp;nbsp;como um sal. E ondular na pista como as ondas no mar. Vou riscar&amp;nbsp;no chão o contorno ardiloso da palavra prazer e respirar a madrugada&amp;nbsp;da palavra paixão.&amp;nbsp;Uma noite vou calçar os sapatos de todas as cinderelas e compor um conto só para mim.&amp;nbsp;Vou transpirar a&amp;nbsp;penumbra das estrelas e sorver-lhes a luz. Arrastar os meus cabelos ao redor do teu luar. Uma noite vou pisar o pé dos meus receios e rodopiar o vestido dos meus sonhos.&amp;nbsp;Amanhã é a noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7623054596670920884?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7623054596670920884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/uma-noite-vou-dancar-ate-de-manha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7623054596670920884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7623054596670920884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/uma-noite-vou-dancar-ate-de-manha.html' title='Uma noite vou dançar até de manhã.'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6162176227956934031</id><published>2011-06-12T17:37:00.000+01:00</published><updated>2011-06-12T17:37:51.420+01:00</updated><title type='text'>Someone like you</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez já não te recordes daquela tarde, há uns bons anos atrás, em que ataste uma fita ao meu pulso direito. Era uma daquelas pulseiras dos desejos, lembras-te? Deste três nós firmes, pausadamente, enquanto eu sussurrava com seriedade três profundos desejos.&amp;nbsp;Conservei essa fita com absoluto cuidado, mesmo nas ocasiões em que não me dava jeito nenhum ter uma coisa atada ao pulso. Era cor-de-rosa, lembras-te? Foram anos a fio a ver o fio deteriorar-se lentamente, sujando-se e estreitando-se e alargando, aos poucos, no meu pulso. De certa forma, sempre desconfiei que te transportasse comigo. Que tu permanecesses aqui, atado a um sítio qualquer. Talvez fossem esses três nós bem dados, talvez fosse essa fita deteriorada, talvez fossem esses três desejos profundos que me amarrassem teimosamente a ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia destes, num movimento brusco e estúpido, a fita ficou presa ao fecho da minha carteira e rompeu-se. Quando a vi, frágil e quebrada, apartada do meu punho, fiquei sem reacção. Hoje sei que as rupturas começam sempre com um movimento brusco e estúpido. Geram sempre pessoas frágeis e quebradas, apartadas, sem reacção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez já não te recordes do que significa hoje o meu pulso direito nu. Eu própria não sei. Talvez queira dizer que mesmo as fitas bem atadas acabam por quebrar. Talvez signifique os nossos laços desfeitos, que continuo a vislumbrar neste&amp;nbsp;espaço sem pulseira nenhuma. Onde estão os meus&amp;nbsp;três desejos por concretizar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6162176227956934031?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6162176227956934031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/someone-like-you.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6162176227956934031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6162176227956934031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/someone-like-you.html' title='Someone like you'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2963502498409927160</id><published>2011-06-07T20:38:00.022+01:00</published><updated>2011-06-12T12:17:11.397+01:00</updated><title type='text'>Um contra o outro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia ouvi falar sobre um certo provérbio árabe. Diz ele que&amp;nbsp;o beduíno deve ir sempre sobre o camelo. Se o beduíno não conseguir domar o camelo, é bem capaz deste se empoleirar às suas costas. Tenho para mim que estas palavras encerram uma verdade fundamental, a necessidade absoluta de que cada coisa ocupe o seu lugar. Cada coisa e cada pessoa no seu lugar, sendo claro que, a todo o tempo, devamos tomar as rédeas do máximo número de&amp;nbsp;pressões que podem vir a acumular-se no nosso dorso. Pensando bem, talvez haja momentos em que o mundo não seja muito mais do que isso mesmo. Um imenso deserto onde uns quantos beduínos se desdobram para&amp;nbsp;refrear outros tantos camelos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu própria, afinal,&amp;nbsp;prossigo&amp;nbsp;assim. Encavalitada no dromedário das minhas incertezas.&amp;nbsp;Evitando&amp;nbsp;que as forças se invertam, talvez&amp;nbsp;possa avistar um oásis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2963502498409927160?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2963502498409927160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/um-contra-o-outro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2963502498409927160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2963502498409927160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/06/um-contra-o-outro.html' title='Um contra o outro'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4973866397506110494</id><published>2011-05-31T22:33:00.080+01:00</published><updated>2011-05-31T23:31:09.717+01:00</updated><title type='text'>Tempo de antena</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempo de antena. Instantes que duram séculos. Como todos aqueles que nos impõem em regime ditatorial. Uma sequência violenta de mau gosto mal intencionado. Esquema estéril para exortar uma suposta capacidade de reflexão. Estratégia inútil para agendar a noção vaga de uma tal consciência cívica que não se aprende nem se aplica através da televisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempo de antena. Talvez cada um se devesse reservar esse direito. Seleccionar um punhado de minutos diários para infligir-se a si próprio de uma mensagem qualquer. Recordar-se do vago compromisso que cada qual deve assumir perante uma ideia mais ou menos liberta de identidade. Um esquema fértil de utilidade estratégica para quem conserve a aspiração de ser capaz de qualquer coisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempo de antena.&amp;nbsp;Instantes que duram séculos. Resume-se a isto a versão&amp;nbsp;quitada de uma ideologia.&amp;nbsp;Os tempos em que se poupa na possibilidade de pensar. Retrato de uma bandeira vazia num comício sem púlpito governado por telecomando.&amp;nbsp;&amp;nbsp;A austeridade do ridículo num momento em que as&amp;nbsp;vidas estão sem orçamento para militar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4973866397506110494?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4973866397506110494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/tempo-de-antena.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4973866397506110494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4973866397506110494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/tempo-de-antena.html' title='Tempo de antena'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4638741082770018201</id><published>2011-05-19T19:04:00.011+01:00</published><updated>2011-05-19T21:02:04.880+01:00</updated><title type='text'>Here I go again</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na terça-feira fiz anos. Há uns anos não imaginaria ter tanta alegria no meu aniversário. E, sobretudo,&amp;nbsp;tanto orgulho dos meus aniversários. Mas aqui vou eu outra vez. Há uns anos atrás não imaginaria que pudesse chover no meu aniversário. E, sobretudo, que trovejasse no meu aniversário. E que eu fosse tão feliz na mesma, apesar disso tudo. Aqui vou eu outra vez. Há uns anos atrás não imaginaria que não sobrasse tempo para vir escrever disparates no blog. Escrevê-los no próprio dia do meu aniversário. E, sobretudo, não fazia ideia de receber tantos abraços de amigos, tantos beijos de amigos, tanta gente boa para roubar o meu tempo. E aqui vou eu outra vez. Não imaginaria que pudesse querer comer um bolo de aniversário sem açúcar. E que fosse sujeitar os meus convidados a roer entrecosto numa tasca. E que fosse saber-me tão bem. Mas aqui vou eu outra vez. Com pernas para correr, pernas para dançar, com quilómetros para fazer,&amp;nbsp;milhas por andar. Com novas malas por encher, mais caixas para esvaziar. Aqui vou eu outra vez. Rumo aos anos que não imaginaria nem que tivesse vivido muitos mais anos. Rumo aos dias que ganharão um lugar na ternura dos meus aniversários. Aqui vou eu. Outra vez, como dizem os Whitesnake, na solitária rua dos sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4638741082770018201?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4638741082770018201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/here-i-go-again.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4638741082770018201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4638741082770018201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/here-i-go-again.html' title='Here I go again'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-840645530560506578</id><published>2011-05-09T00:39:00.000+01:00</published><updated>2011-05-09T00:39:28.087+01:00</updated><title type='text'>Entre mis recuerdos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me do quintal, das tardes de chuva e das tardes de sol. Lembro-me das árvores, durante uns tempos abastadas, noutras alturas despidas. Entre as duas casas, sempre a passadeira de cimento irregular, umas vezes percorrida à pressa, outras vezes devagar. E,&amp;nbsp;na fachada da minha casa, acima da soleira da porta, um candeeiro. Uma lâmpada de luz metida numa campânula de vidro mal enroscada onde alguns insectos repousam. A luz fica sempre acesa durante a noite, não vá alguém precisar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já houve&amp;nbsp;tempos quentes, outros tempos&amp;nbsp;mais frios. Já houve dias que seguiram noite adentro, já houve noites que terminaram de manhã. Umas vezes&amp;nbsp;com o&amp;nbsp;mundo abastado, outras vezes despido. Entre mim e a minha casa, sempre uma passadeira de cimento irregular que percorro com a religiosidade de um rito&amp;nbsp;qualquer. Na fachada, sobre a soleira da porta, o candeeiro. A luz acesa da minha campânula, a lâmpada da minha existência mal enroscada. Vou sempre precisar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-840645530560506578?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/840645530560506578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/entre-mis-recuerdos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/840645530560506578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/840645530560506578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/entre-mis-recuerdos.html' title='Entre mis recuerdos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-797532164722451606</id><published>2011-05-01T18:34:00.000+01:00</published><updated>2011-05-01T18:34:12.777+01:00</updated><title type='text'>Something simple</title><content type='html'>&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Não&amp;nbsp;oferecemos&amp;nbsp;algo simples. Procuramos aquela prenda para aquela pessoa. Pensamos no jeito que a distingue, nos objectos que a definem, nos pequenos prazeres que a fazem feliz. Reflectimos sobre o que somos para ela e sobre o que ela é para nós. Hesitamos entre preencher uma necessidade ou investir apenas num mimo. Hesitamos entre um toque de humor ou um simbolismo profundo. Ou procuramos apenas uma coisa que diga que não nos esquecemos. Que estamos satisfeitos por tê-la aqui. Que cortámos uma fatia do nosso tempo para lhe dedicar. Caminhamos entre as lojas e entre as nossas&amp;nbsp;recordações, mexemos em coisas, rejeitamos coisas. Evitamos a preguiça de pegar numa coisa qualquer. Continuamos a procurar. Falamos com quem nos possa ajudar a encontrar aquela coisa para aquela pessoa. Procuramos a coisa perdida dessa pessoa como se fosse a nossa missão de lha entregar. Pensamos nela, tão dentro da nossa cabeça e do nosso coração. Aguardamos que alguém no mundo tenha feito essa coisa à sua medida para que lha possamos entregar. A coisa aparece. Embrulhada num sítio qualquer onde só nós a poderíamos encontrar. E finalmente imaginamos que esta seria aquela coisa perfeita para aquela pessoa. A coisa vai embrulhada nisso tudo. No estado do tempo nesse dia, nos nossos afectos, nas voltas que demos à procura, na nossa insistência para a encontrar. A coisa leva as nossas impressões digitais, marcadas no momento em que a tirámos da prateleira onde nos esperava. Leva a nossa ansiedade em descobrir, a nossa vontade de estar presente, o nosso desejo de agradar. Guardamos a prenda connosco e também guardamos aquele alívio de missão cumprida. E chegamos a um sítio com aquele embrulho, imagem constrangida de quem se quer dar. Nós e o último medo de não ter escolhido bem, a espera pela expressão daquele rosto. Estendemos a mão. Oferecemos. Ouvimos o rasgar do embrulho e&amp;nbsp;uma palavra de agradecimento embrulhada num sorriso. Um obrigada que é tão inferior à dimensão daquele gesto, tão inferior à dimensão&amp;nbsp;daquela pessoa. Daquele momento em que estivemos lá.&amp;nbsp;Não, não&amp;nbsp;oferecemos algo simples. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Mãe, nenhuma outra pessoa poderia ter ensinado melhor o significado de uma oferta singular. Aqui vou&amp;nbsp;gerindo o meu presente, tentando oferecer sempre a cada um aquilo que melhor lhe encaixa. Nenhuma outra prenda senão esta teria sido suficiente para ti. Eu a subir estas escadas contigo ao pé de mim. Afinal de contas, talvez baste mesmo uma coisa simples. Continuarmos aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;form action="/post-delete.do" id="deletePost" method="post" name="deletePost"&gt;&lt;input name="security_token" type="hidden" value="AOuZoY6mtuGplQ8VHI1x5VZWbbLspduvWw:1304271170668" /&gt;&lt;input name="postID" type="hidden" value="2088338676125224128" /&gt; &lt;input name="blogID" type="hidden" value="2941739883286629194" /&gt; &lt;/form&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-797532164722451606?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/797532164722451606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/something-simple_1742.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/797532164722451606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/797532164722451606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/05/something-simple_1742.html' title='Something simple'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5248988165385285354</id><published>2011-04-25T23:01:00.000+01:00</published><updated>2011-04-25T23:01:33.499+01:00</updated><title type='text'>Grândola, a tua vontade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de me terem dito uma vez&amp;nbsp;que a palavra inquietude é uma das mais bonitas que há. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na palavra inquietude cabem as vozes que nos sussurram em noites solitárias e que nos impelem a que nos rebelemos. A palavra inquietude inspira as revoluções políticas e também as revoluções pessoais. Está em todos os momentos que nos instam a agir para que o dia seguinte não seja só mais um dia. Há 37 anos, uns certos inquietos quiseram mudar o dia seguinte deste país. Há pessoas que passam noites acordadas, noites em que seria impossível adormecer, e nada fica como dantes. Há 2 anos e tal também eu fui inquieta, também eu mudei o meu dia seguinte. Há certas noites de insónias que nos mudam a vida. Essa inquietude guardo-a até hoje, também ela cheira a Abril. Tantos dias e noites volvidos, penso nas revoluções, olho para o país e para mim. Talvez os resultados de todas as inquietudes do mundo tenham alguma coisa em comum. A inquietude move-nos com um factor de euforia nos primeiros tempos. E depois afaga-nos com coragem nos outros tempos mais difíceis. Por vezes quase que nos abandona, deixando espaço para dúvidas e erros e quase recuos. Por vezes contagia outras pessoas, outros corações, tornando as noites dos inquietos muito menos solitárias. Passado uns tempos, sabemos que muito foi feito. Mas, ao mesmo tempo, há uma outra inquietude que nos assola e que nos diz que tudo está por fazer. Talvez esteja mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me sempre de me terem dito dessa vez que a palavra inquietude é uma das mais bonitas que há. O que ela tem de mais bonito é este lado inacabado e incessante que as pessoas inquietas não se&amp;nbsp;podem cansar&amp;nbsp;de apreciar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5248988165385285354?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5248988165385285354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/grandola-tua-vontade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5248988165385285354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5248988165385285354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/grandola-tua-vontade.html' title='Grândola, a tua vontade'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5488669002817525343</id><published>2011-04-25T19:25:00.000+01:00</published><updated>2011-04-25T19:25:03.792+01:00</updated><title type='text'>L'Intempérie</title><content type='html'>&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;É a proximimidade do precipício que propicia uma intempérie. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não preciso de impingir pedaços de pudor. Não lhes pego e não os peço a ninguém. Permito que&amp;nbsp;me proponham toda a&amp;nbsp;parafernália de impropérios ao invés de uma palavra piedosa por alguém. Impeço a expropriação de pecados importantes, reconhecendo que uma vida impoluta é imprópria para proveito. Respondo, impaciente, às realidades impraticáveis e sinto-me impassível de impedir todas as impertinências de que sou capaz. Aponto, impávida, para a penumbra de um império e pinto todos os passos até lá chegar. Pelo percurso&amp;nbsp;tropeço em&amp;nbsp;pedras de imprevisibilidade e penedos importunos. A procura é sempre compassada por parcelas de prazer e por uma soma importante de impossibilidade. Pergunto-me quantos parvos como eu se importam com estes punhados de impulsos. Preocupações permanentes com o poder das aspirações. E com os apetites&amp;nbsp;impostores.&amp;nbsp;Parto do princípio de que a&amp;nbsp;perda é um imperativo.&amp;nbsp;Represento, portanto,&amp;nbsp;um projecto impreparado e imperfeito. Uma poção impetuosa de pólvora e plumas. Prestes a implodir.Imagina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5488669002817525343?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5488669002817525343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/lintemperie_6540.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5488669002817525343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5488669002817525343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/lintemperie_6540.html' title='L&apos;Intempérie'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4453404231119566511</id><published>2011-04-11T23:07:00.000+01:00</published><updated>2011-04-11T23:07:54.263+01:00</updated><title type='text'>Eyes Wide Shut</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fechamos os olhos durante o beijo. Aceitamos que é inútil tê-los abertos. Deselegante, até. Resvalamos para&amp;nbsp;a órbita em&amp;nbsp;que a luz é interdita e decidimos sucumbir a um silêncio que só tem sentido na mais profunda e professa fé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não descerramos os olhos durante o beijo. Temo-los cegos como somos a vida inteira. Vulneráveis a qualquer ataque. Ignorantes de uma verdade que pode nem existir, passivos de um futuro que pode nem vir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Batemos as pálpebras durante o beijo. Embriaguez obrigatória de quem bota um pé em cada mundo. Abrir os olhos seria violar todas as regras da surdez que nos vela. Viajar ancorado em terra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos para lá e pronto. Para o quarto escuro onde estamos metidos desde sempre. Sem ver mais nada. Juntamos as pestanas e separamo-nos do tempo. Até o beijo acabar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4453404231119566511?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4453404231119566511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/eyes-wide-shut.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4453404231119566511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4453404231119566511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/04/eyes-wide-shut.html' title='Eyes Wide Shut'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1018248781316405534</id><published>2011-03-10T21:12:00.000Z</published><updated>2011-03-10T21:12:23.551Z</updated><title type='text'>Águas de Março</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escorrem pela janela as gotas lascivas da chuva de fim de Inverno. São frágeis mas convictas. Pendem de um céu saudoso de azul onde, aos poucos, o calor vai chegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez nós os dois sejamos também duas gotas apenas. Dois pingos orgulhosos e escorregadios chorados pelo frio pouco gelado que tarda em cessar. Talvez sejamos apenas dois cristais molhados e esguios que, um dia, poderão descobrir o caminho para o mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As chuvas desta época são correntes largadas de uma estação que já não tem drama nem cinzento escuro. São o sorvo das flores acabadas de nascer e que, mais tarde, cairão no leito de um rio que não sabe bem onde vai dar. As chuvas desta época são levadas pelo poente de dias que não vão parar de crescer. E são as mesmas águas onde, em tardes quentes, as crianças vão mergulhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez nós os dois também tenhamos direito a nadar na ternura dos dias soalheiros. Dois pingos orgulhosos e escorregadios que saberão acompanhar as vertigens da corrente e a calma dos passeios ao luar. Talvez&amp;nbsp;nos ultrapassem&amp;nbsp;as flores da Primavera e, mais tarde, as folhas secas do Outono. Não deixaremos, nunca, de tentar descobrir o caminho para o mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De momento, estamos aqui. Onde as gotas lascivas da chuva de fim de Inverno se deixam escorrer pela janela. Frágeis mas convictas. Como nós. Pendemos juntos de um céu saudoso de azul onde, impetuoso, o calor conseguiu entrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1018248781316405534?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1018248781316405534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/03/aguas-de-marco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1018248781316405534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1018248781316405534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/03/aguas-de-marco.html' title='Águas de Março'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3976929277945212080</id><published>2011-02-27T00:17:00.000Z</published><updated>2011-02-27T00:17:38.223Z</updated><title type='text'>Elasticidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas pessoas seguram um elástico. Cada qual suporta uma ponta desse fio. Quanto mais esticado estiver esse elástico, mais firme terá de ser o pulso das duas pessoas. Se uma delas se descuidar, mais a outra se magoará. Esta é, para mim, uma boa imagem para definir uma relação. Um jogo de confiança que é tanto mais perigoso quanto mais estreito se torna. Uma dinâmica em que duas pessoas vão definindo diversos comprimentos de ligação, usando de um canal de transmissão para interagir entre si. Um compromisso em que cada um se propõe segurar a sua ponta, criando um laço com o outro&amp;nbsp;e envolvendo-se na promessa de evitar de o largar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um elástico é um objecto que serve bem a mudança, os ajustes e as adpatações que a vida exige. Se as relações forem um elástico que duas pessoas seguram, então cada um de nós habita uma teia, um novelo de fibras&amp;nbsp;mais ou menos flexível. Um sistema complexo de malabarismo de responsabilidades em que uns vão, certamente, cair e outros têm, seguramente, de ficar.&amp;nbsp;É necessário prevenir a dor das quebras, usando a elasticidade acompanhada de um tónico de amor próprio. Seguraremos&amp;nbsp;esse fio&amp;nbsp;com a força&amp;nbsp;que suporta o vínculo mais elementar.&amp;nbsp;O desafio é decidir até onde&amp;nbsp;nos deixamos esticar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3976929277945212080?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3976929277945212080/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/elasticidades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3976929277945212080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3976929277945212080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/elasticidades.html' title='Elasticidades'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8990854882303323399</id><published>2011-02-22T21:29:00.000Z</published><updated>2011-02-22T21:29:30.822Z</updated><title type='text'>Volver</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem toda a gente tem a oportunidade de voltar ao sítio onde nasceu para concretizar qualquer coisa. Eu tive. É o desígnio de regressar ao colo das primeiras mãos e lembrar como tudo começou. Uma viagem à génese de uma história, à inauguração da vida como um acaso feliz que não deve ser esquecido. Uma ironia dos tempos, cruzando as estradas de rostos e espaços antigos que já não se reconhecem. Uma partida do futuro que nos põe a braços com a temerosa bagagem do passado vivo que importa cuidar. Esta é uma viagem que devíamos ser obrigados a repetir de tempos a tempos. O exercício de limpar o pó aos armários velhos da idade, procurando alcançar a mais primária plataforma de&amp;nbsp;essência&amp;nbsp;que se pode tocar. Nada seria igual se não nos perdêssemos&amp;nbsp;frequentemente daquele ser a quem ampararam&amp;nbsp;os que nos viram nascer. Aquele a quem bastava ser não mais que ninguém.&amp;nbsp;E é tamanha a&amp;nbsp;distância que nos separa desse estado de crueza, que todos os anos não bastariam para lá&amp;nbsp;chegar. Por tudo o que&amp;nbsp;fizemos&amp;nbsp;e que fomos, somos, ao mesmo tempo,&amp;nbsp;mais e menos do que esse&amp;nbsp;sujeito que outros viram crescer.&amp;nbsp;E nessa álgebra complexa de expectativas e concretizações morará, talvez, a pessoa que somos afinal. Nas mesmas mãos crescidas e amadurecidas cabe a fé na prosperidade e os votos da gestação, a generosidade da partilha e a determinação. No mesmo coração crescido e amadurecido jaz o choro do parto e o sangue dos cordões umbilicais cortados, a raiva de sobreviver e a abnegação.&amp;nbsp;No fim das contas, quase nada mudou. Nem sempre amados,&amp;nbsp;nem sempre satisfeitos, nem sempre reconhecidos, insistimos em cair e levantar.&amp;nbsp;Como uma criança pequena, aprender a&amp;nbsp;caminhar&amp;nbsp;rumo a&amp;nbsp;um destino qualquer.&amp;nbsp;Por vezes terei sonhado que tudo fosse diferente mas soube, a todo o tempo, que valeu a pena.&amp;nbsp;A verdade é que mexer na memória é sempre um reencontro.&amp;nbsp;Com todo o desassossego e todo o deleite que isso significa.&amp;nbsp;O&amp;nbsp;meu não podia ter sido melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8990854882303323399?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8990854882303323399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/volver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8990854882303323399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8990854882303323399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/volver.html' title='Volver'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2174472336948825987</id><published>2011-02-17T21:21:00.000Z</published><updated>2011-02-17T21:21:28.336Z</updated><title type='text'>O amor acontece</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre quis escrever um texto com este título. Tratar o amor como um acontecimento solene que está ao alcance de todas as vidas. Tentar explicar onde começa e acaba esta coisa que não tem princípio nem fim. Dizer às pessoas que o amor anda por aí e que nos podemos sempre deixar encontrar por ele. Escrever tudo aquilo que está a uma grande distância da dimensão de todas as&amp;nbsp;palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre quis poder falar da nobreza do sentimento que não se importa com as coisas pequenas e que mora nas pequenas coisas. Que começa com os olhos que se vêem e se querem. Que adormece abraçado às madrugadas e acorda com o hálito das manhãs. Que desarruma os armários do tempo e nos faz tirar das gavetas as melhores peças de nós próprios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca quis embrulhar uma história numa caixa de recordações. Que não seja tão livre&amp;nbsp;e tão aberta como esse vendaval de sentidos. Que não seja tão gulosa como a luz dos jantares a dois. Que não seja tão cómica como as primeiras gargalhadas partilhadas. Que não seja tão verdadeira como a nudez dos pés descalços. E tão finita e perigosa como outra coisa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca quis&amp;nbsp;criar fronteiras ou receitas para o amor. Nem tão pouco embarcar em conjecturas lúcidas sobre o seu conceito. O amor não trata de lucidez nem de definições. Damos por ele depois de instalado e só sabemos que acabou depois de ter partido. Há quase nada que possamos estudar sobre o diagnóstico do amor. Sabe-se apenas que ele é o lugar a partir do qual não há retorno. Mesmo que tudo volte a ser igual, nada fica como dantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E esta será condição suficiente para que o meu blog tenha um texto com este nome. A afirmação de que o amor acontece como um facto que está escrito e publicado apesar de tudo o que foi dito antes e independentemente de tudo o que seja exposto depois. Talvez seja esta a posição do amor nas nossas vidas. Uma fatalidade, um intento, uma convicção. Um querer, uma ousadia, um manisfesto.&amp;nbsp;Este&amp;nbsp;é&amp;nbsp;o meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2174472336948825987?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2174472336948825987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/o-amor-acontece.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2174472336948825987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2174472336948825987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/o-amor-acontece.html' title='O amor acontece'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7125004297436737879</id><published>2011-02-10T19:53:00.000Z</published><updated>2011-02-10T19:53:53.159Z</updated><title type='text'>Dois</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz hoje dois anos que adiantei todos os relógios. Compromisso inadiável de ir ao meu próprio encontro. Abri as páginas deste livro com a missão de não mais fechar todas as portas. E foi nestas linhas que voltei a sentir o vento a despentear-me os cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz hoje dois anos que habito em união de facto nesta morada. Uma relação a dois onde o prazer é ilimitado e a mentira é proibida. Gerimos o tempo como quem passeia, recebemos os amigos que vêm por bem e honramos uma promessa voltada para a eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz hoje anos e a palavra dois nunca fez tanto sentido. A busca de um estado de alma que não se vende aos pares mas que se ganha numa dupla. Continuo a procurar esse lugar onde quero ser pontual e assídua. E talvez ele não habite noutro sítio senão aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7125004297436737879?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7125004297436737879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/dois.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7125004297436737879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7125004297436737879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/02/dois.html' title='Dois'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8860139541816033882</id><published>2011-01-28T22:34:00.000Z</published><updated>2011-01-28T22:34:58.482Z</updated><title type='text'>Dirty Dancing</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dança é o universo de simetrias mais assimétrico que existe. É a história de um contrato silencioso, de uma paixão desigual. O exemplo de que duas mãos dadas podem representar, mais do que uma parceria, um jogo de forças. Um jogo sujo e despojado. Uma&amp;nbsp;guerrilha&amp;nbsp;com dois opositores numa mesma facção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um que se permite mandar. Há outro que se deixa obedecer. Os gestos são revestidos de insinuações, de sórdidas subtilezas de engano, do exercício totalitário de uma intenção. O desafio é antecipar com leveza as instruções, reduzir a tensão da surpresa dos sinais, usufruir da beleza das expressões. O ritmo é o compromisso superior, o poema sobre o qual se desenham recursos estilísticos. As normas dissipam-se no rodopiar dos versos, nas esferas insondáveis da empatia, no odor da canção. Apenas o par prevalece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os corpos vão desenhar uma fronteira e depois vão escolher a melhor forma de a vilipendiar. Os pés vão usurpando, uns aos outros, o mesmo espaço. Os rostos vão perseguir-se para além da linha de conforto e vão disputar o mesmo ar. Não há meta, não há mapa, não há medição. A distância de segurança é uma utopia. A única regra é não largar a mão. A pista de dança é o palco para uma luta de poder. A mais estética e lírica batalha de atracção. A súmula perfeita entre&amp;nbsp;o génio&amp;nbsp;de mandar e a arte de obedecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8860139541816033882?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8860139541816033882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/dirty-dancing.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8860139541816033882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8860139541816033882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/dirty-dancing.html' title='Dirty Dancing'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3891592839978068286</id><published>2011-01-25T22:28:00.000Z</published><updated>2011-01-25T22:28:50.626Z</updated><title type='text'>Sodade</title><content type='html'>Às vezes não é dos humores da natureza. Nem é da natureza dos humores. É a falta de qualquer coisa.&lt;br /&gt;É o drama da folha branca. É a vida em branco.&lt;br /&gt;Às vezes não é que se pense demasiado. Nem é que se sinta em demasia. É um medo de qualquer coisa.&lt;br /&gt;E perde-se a mão para o tempero. Perde-se a mão ao temperamento.&lt;br /&gt;Às vezes não é&amp;nbsp;do tempo passado. Nem é da passagem do tempo. É a espera de qualquer coisa.&lt;br /&gt;Que não tem hora para chegar. Nem chega com as horas.&lt;br /&gt;Às vezes não é sono. Nem é fome. É um cansaço por qualquer coisa.&lt;br /&gt;E fica-se esvaziado de recheio. Fica-se cheio de vazio.&lt;br /&gt;Às vezes nem é nada. Mas fica-se assim. A implicar com todas as coisas.&lt;br /&gt;É qualquer coisa de sodade. É uma sodade qualquer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3891592839978068286?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3891592839978068286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/sodade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3891592839978068286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3891592839978068286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/sodade.html' title='Sodade'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8562410616753997223</id><published>2011-01-19T23:31:00.000Z</published><updated>2011-01-19T23:31:10.405Z</updated><title type='text'>Mulher Mim</title><content type='html'>&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O meu elogio ao desempenho da Daniela nesta peça. Por tudo o que disse e fez no contexto da mulher dos nossos dias. Que está em todos os lugares sem ter, efectivamente, lugar. E por tudo o que não podia dizer nem podia fazer em tempo útil num palco mas que nos implicou a todos nós, espectadores, a dizer e a fazer dentro de nós próprios. O teatro tem destas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Este espectáculo fez-me reflectir sobre a minha condição de mulher naquele que julgo ser o meu papel mais determinante nesta cadeia de influência e de mudança na qual nos vemos todos inteiramente cúmplices e responsáveis – o papel de filha. Creio que a relação parental, mais do que a relação conjugal, jurídica ou profissional, é aquela que mais introduz conteúdo a esta temática. A relação que faz com que uma Mãe repense as suas funções e motivações na formação de outra mulher. A relação que faz com que um Pai questione as suas limitações de ser homem no acolhimento a uma tão avassaladora nova mulher. Que é a filha. Quando, um dia adolescente, eu perguntei ao meu Pai se, caso fosse da minha idade, namoraria comigo e ele me respondeu timidamente... – Não... És muito intelectual. – eu entendi a importância da superação e actualização dos valores, sobretudo ligados às concepções de perfil atractivo entre géneros, que um filho deve operar sobre o legado transmitido pelos pais. Ao reconhecer que muitas das suas perspectivas se encontram encarceradas nas fronteiras de um tempo, entender que a condição de educador de um Pai não é menos válida se necessitada de ajustes e remodelações sociais. Os filhos nascem com tal missão pelo legado, pela educação que têm a receber dos pais, que tantas vezes não se dão conta de que ao existir, ao crescer plena e conscientemente, os educam. Neste âmbito talvez fosse também importante questionar, com fervor, o papel da mulher na educação de um filho homem e em que medida não encontra, especialmente nesse momento, uma fortíssima oportunidade para desafiar o instituído sem egoísmos nem outras correntes moralistas em que se prender... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="postBody" style="color: #777777; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Este texto foi publicado no primeiro Caderno Magnólia. Uma colecção&amp;nbsp;de depoimentos recolhidos a partir de espectadores de teatro. Este tem a voz das mulheres que assistiram&amp;nbsp;à peça&amp;nbsp;Mulher Mim. Obrigada.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8562410616753997223?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8562410616753997223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/mulher-mim_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8562410616753997223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8562410616753997223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/mulher-mim_19.html' title='Mulher Mim'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4630314560067914266</id><published>2011-01-11T20:27:00.000Z</published><updated>2011-01-11T20:27:05.084Z</updated><title type='text'>Come as you are</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não pode haver hoje outro luxo senão o de poder sentir a textura da pele. A pele, ela própria, sem filtros, sem desculpas, sem conservantes. Vamos acumulando camadas como quem se agasalha para o frio. Vamos coleccionando fachadas como quem habita a sós um vazio. E a pele, ela própria, que nos embrulha com aparente inutilidade, fica prisioneira de todos os sentidos. A&amp;nbsp;pele, ela própria,&amp;nbsp;por onde andamos&amp;nbsp;perdidos, esconde uma verdade adulterada. Irrespirável. Pergunto-me qual será a saída dessa estrada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu posso ir contigo para os nós do novelo. E posso embrulhar-me nessas camadas noite adentro. E passear contigo pela rua. O meu humor pode quebrar o teu escudo. Podemos sentar-nos no chão sem medo de sujar a roupa.&amp;nbsp;O meu calor pode derreter a tua capa. Vamos dançar lá ao fundo, fora de horas, depois das camadas. Eu posso fazer escorregar essa máscara.&amp;nbsp;Abraçar-te.&amp;nbsp;E despidos talvez possamos ler a pele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero filtros, não quero desculpas, não quero conservantes. Um dia eu vou chegar ao lugar onde assentam todas as camadas. Até lá esconderemos, com o pouco que somos, o muito que temos para dar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4630314560067914266?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4630314560067914266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/come-as-you-are_11.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4630314560067914266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4630314560067914266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2011/01/come-as-you-are_11.html' title='Come as you are'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6774219204052642388</id><published>2010-12-31T23:26:00.000Z</published><updated>2010-12-31T23:26:42.896Z</updated><title type='text'>Num frame</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É difícil&amp;nbsp;captar um rosto num frame. As suas matizes e expressões. O temperamento e a atitude. A luz e a sombra do olhar. A loucura e a sensatez dos gestos. O barulho calado das emoções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É complicado retratar uma mente num blog. Oferecer uma boa amostra de génio e ignorância. Desenhar traços complexos sem subestimar a banalidade. Marcar linhas triviais sem esquecer a erudição. Fazer viajar um leitor sem o aprisionar. Inventar uma verdade metida dentro duma versão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É impossível resumir um ano num post. Mostrar&amp;nbsp;o tamanho das vitórias alcançadas.&amp;nbsp;Envolver a profundidade das reflexões.&amp;nbsp;Guardar o&amp;nbsp;crescimento das metas. Inventariar os momentos e as pessoas. E todas as histórias mal contadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os meus votos para 2011 são igualmente impassíveis de reter. A dimensão das aspirações. A monumentalidade dos desafios. O fascínio dos medos e das imperfeições. O ardor e a força dos desejos. A vontade de ser melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom Ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6774219204052642388?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6774219204052642388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/num-frame.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6774219204052642388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6774219204052642388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/num-frame.html' title='Num frame'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2726117674107166070</id><published>2010-12-24T15:04:00.000Z</published><updated>2010-12-24T15:04:48.583Z</updated><title type='text'>Pelas plumas de Platão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria importante haver um momento dedicado a toda a parefernália de confissões apaixonantes. Abríamos os armários enclausurados e era desatar a contar do nosso amor platónico àquela pessoa que nunca desconfiou. E então podíamos falar desalmadamente das vezes em que a olhávamos sem ninguém ver e recorríamos a métodos inusitados para ouvirmos o que dizia.&amp;nbsp;Em que recolhíamos informações muito específicas de forma a alimentar um imaginário com requintes de realismo. E temíamos com terror o dia em que essa pessoa nos aparecesse pela frente e afinal fosse só mais uma pessoa normal. Mesmo sabendo que ela estava tão longe de saber de nós... que nem tropeçando nos veria. Fico aborrecida com a solidão que envolve estes segredos. E acho piada à idade porque devolve um charme renovado à sua declaração. Voltamos a ver a pessoa depois de mil anos e ainda a conhecemos como só nós poderíamos. E ela sem saber que uma desconhecida parte de si terá habitado noites a fio a memória de um&amp;nbsp;estranho envergonhado... capaz de a conservar como um secreto presente.&lt;br /&gt;Talvez valha a pena fazê-la feliz.&lt;br /&gt;Talvez o Natal seja feito de muitos presentes destes. De votos e confissões que encontram numa quadra de sensibilidades o seu melhor contexto. De palavras escondidas em rotinas quotidianas, de gestos abafados pelo silêncio, de desejos de amor por concretizar. Quando oferecemos o tesouro de uma paixão escondida a alguém, há qualquer coisa&amp;nbsp;de incondicional que é irrepetível. Que nos liberta para uma imensa capacidade de dar e que nos faz sentir que já poderíamos morrer mais descansados. Não valeria a pena ter tido borbulhas, não valeria a pena ter sido adolescente se não fosse para aprender a sentir assim. Há qualquer coisa que sobra de nós para aqueles que amamos. É preciso oferecer essa herança enquanto ainda existirem apaixonados,&amp;nbsp;antes que&amp;nbsp;as&amp;nbsp;vidas e as consoadas&amp;nbsp;se esvaziem. Feliz Natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2726117674107166070?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2726117674107166070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/pelas-plumas-de-platao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2726117674107166070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2726117674107166070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/pelas-plumas-de-platao.html' title='Pelas plumas de Platão'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6024317201624454801</id><published>2010-12-05T18:51:00.000Z</published><updated>2010-12-05T18:51:35.311Z</updated><title type='text'>En construcció</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vi a Sagrada Família de Barcelona. A obra inacabada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem o impacto monumental de um edifício marcante. Embora tenha gruas por todo o lado. E tenha partes tapadas por andaimes. E haja todos os dias pessoas que de alguma forma lhe toquem e a retoquem. E haja a todo o tempo um ruído e uma encenação em seu redor.&amp;nbsp;E que&amp;nbsp;de todos os que a admirem e visitem, cada um a leve de forma diferente. E&amp;nbsp;que&amp;nbsp;ninguém saiba&amp;nbsp;como e quando poderá terminar. Os anos vão passando e, enquanto algumas partes se renovam, há outras que constantemente envelhecem. Talvez até resida neste facto a sua característica mais peculiar - é um lugar que continuamente se inunda de incerteza. E nesse lugar habita uma identidade em mudança, cujo valor nem se pode questionar. É esquisito amar uma coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se calhar a&amp;nbsp;Sagrada Família de Barcelona é como uma mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também&amp;nbsp;pode ter&amp;nbsp;o impacto monumental de uma criação marcante. Embora tenha sensibilidades por todo o lado. E tenha partes tapadas por rasgos de humor incompreensíveis. E haja todos os dias pessoas que de alguma forma&amp;nbsp;a toquem, esforçando-se ela própria por se retocar. E haja a todo o tempo um ruído e uma encenação em seu redor. E que de todos os que a admirem e conheçam, cada um a leve como uma mulher diferente. E nem a própria saiba como e quando poderá terminar. Os anos vão passando e, enquanto que há algo nela que se renova, algumas aspirações constantemente envelhecem. Talvez até resida neste facto a sua característica mais particular - uma mulher é um lugar que continuamente se faz e se desfaz, inundado de incerteza. E nesse lugar habita uma realidade autêntica, em mudança, cujo valor nem se deve questionar.&amp;nbsp;Deve ser preciso muito, ou não devia ser preciso mais nada, para amar uma coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6024317201624454801?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6024317201624454801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/en-construccio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6024317201624454801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6024317201624454801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/en-construccio.html' title='En construcció'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2380669130810781539</id><published>2010-12-04T23:38:00.000Z</published><updated>2010-12-04T23:38:39.436Z</updated><title type='text'>El món són peces</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TPrQkRIRdfI/AAAAAAAAADk/LVZxNqjtVNs/s1600/HPIM2582.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TPrQkRIRdfI/AAAAAAAAADk/LVZxNqjtVNs/s320/HPIM2582.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Antoni Gaudí transformou o mundo sacralizado das linhas rectas num universo ondulado ao tamanho da nossa imaginação. Reinventou a verticalidade das grandes obras à medida do transferidor de que são feitos os ciclos. E pintou com cores os traços entre os quais nos havemos de cruzar. Porque nada do que é humano obedece ao esquadro austero da relação perpendicular, pode a arte habitar as curvas sinuosas de que são feitos os sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para revestir esse óculo acidentado que tem vista para a nossa existência, vestiu as superfícies de pedaços de mosaicos destroçados perto de se voltar a encaixar. Como se repousassem numa varanda imensa virada para o que está para vir, os cacos partidos são em si uma unidade sobre a qual importa reflectir. Os bocados formam um sentido rebuscado que permite arredondar os cantos. Significam um objecto completo que não evitou de se partir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imperfeição é uma verdade solitária que nos esmaga em pedaços. Os caminhos são uma porta refractária difícil de alinhar. Como se toda a procura fosse uma parede ladrilhada, é preciso quebrar para ajustar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2380669130810781539?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2380669130810781539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/el-mon-son-peces.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2380669130810781539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2380669130810781539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/12/el-mon-son-peces.html' title='El món són peces'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TPrQkRIRdfI/AAAAAAAAADk/LVZxNqjtVNs/s72-c/HPIM2582.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3341762576775742575</id><published>2010-11-23T23:47:00.000Z</published><updated>2010-11-23T23:47:19.211Z</updated><title type='text'>L'amistat a la ciutat</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TOxQHmDv86I/AAAAAAAAADc/WKwXK7jKcGg/s1600/tristeII.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TOxQHmDv86I/AAAAAAAAADc/WKwXK7jKcGg/s320/tristeII.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3341762576775742575?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3341762576775742575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/11/lamistat-la-ciutat.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3341762576775742575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3341762576775742575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/11/lamistat-la-ciutat.html' title='L&apos;amistat a la ciutat'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/TOxQHmDv86I/AAAAAAAAADc/WKwXK7jKcGg/s72-c/tristeII.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7490421550083562678</id><published>2010-11-12T01:15:00.000Z</published><updated>2010-11-12T01:15:08.755Z</updated><title type='text'>Road to nowhere</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve um dia em que pareceu pertinente apagar contactos aparentemente inúteis da lista do telemóvel. Nesse dia começou tudo. A primeira categoria dos dígitos telefónicos ocupou de forma avassaladora o equipamento, sem deixar espaço para mais ninguém. Um destinatário unívoco, inequívoco, era o epicentro das comunicações. Os dias e as estações desdobraram-se no súbito colorido que delirava dum universo monocromático. Não havia paletas para mais ninguém. O preto e branco foi-se ocupando de invadir o peso das estações e dos dias, avariando as mesmas teclas já gastas. Os problemas de rede foram dando lugar a avarias de mau contacto sem orçamento nem arranjo. Houve um dia em que pareceu pertinente indagar sobre outros contactos para completar a mutilada lista de números de telemóvel. Nesse dia acabou tudo. Talvez a vida se resuma só a estes dois tipos de estados. O momento em que a lista de contactos do telemóvel está absolutamente cheia. O momento em que a lista de contactos do telemóvel fica irremediavelmente vazia. Os digítos podem ter combinações infinitas e o dispositivo tem sempre saldo, tem sempre memória para mais alguém. Não há uma primeira categoria, há um sonho em segunda mão. É nesse que eu estou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7490421550083562678?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7490421550083562678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/11/road-to-nowhere.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7490421550083562678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7490421550083562678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/11/road-to-nowhere.html' title='Road to nowhere'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2998750139697390306</id><published>2010-10-27T23:23:00.000+01:00</published><updated>2010-10-27T23:23:56.477+01:00</updated><title type='text'>A destreza de ser canhoto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O canhoto é aquela pessoa desajeitada que lê e escreve contra a corrente. O canhoto suja a mão com a tinta fresca das linhas que desenha, borratando sistematicamente o papel, como se carimbasse o registo com o seu tom de imperfeição. O canhoto não se converte. O canhoto não é suposto. É o contrário. É ao contrário. O canhoto começa a dançar com o pé errado e tem tendência a rematar do lado errado. O canhoto bate com o cotovelo no destro se ficar do lado direito numa secretária para dois. Insistentemente na vida à procura do lado certo. O canhoto é a parte da caderneta que nem serve para reclamar o prémio, zelando apenas para a identificação do vencedor. É isso mesmo um canhoto, é aquele que tem alguma utilidade&amp;nbsp;mas não reside no grupo principal. E sobretudo porque não reside no grupo principal. A sofisticação do génio sem lugar.&amp;nbsp; Sem jeito. Que se apresenta como portador&amp;nbsp;de um defeito que não é mais do que o feitio raçudo&amp;nbsp;de ter um cérebro tão direito num mundo predominantemente esquerdo. O canhoto é uma troca de hemisférios&amp;nbsp;num mundo que não troca de critérios quanto ao sentido da circulação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2998750139697390306?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2998750139697390306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/destreza-de-ser-canhoto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2998750139697390306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2998750139697390306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/destreza-de-ser-canhoto.html' title='A destreza de ser canhoto'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1811397907698136987</id><published>2010-10-13T21:21:00.000+01:00</published><updated>2010-10-13T21:21:27.711+01:00</updated><title type='text'>Nº. 100</title><content type='html'>Tinha pressa e havia uma porta que dizia: puxe. Eu empurrei.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com certas portas repete-se este problema - caminhamos com a certeza de que estamos do lado certo... e quando chega a altura de entrar percebemos que trazemos connosco o movimento errado. Subitamente o trajecto parece todo um tremendo equívoco, o fluxo da passagem arrasta-nos no sentido inverso e nessa altura talvez sejamos capazes de compreender que a porta tem sempre qualquer coisa escrita para quem tiver disponibilidade de ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo pressa não se entende que a vida não se empurra. Puxa-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1811397907698136987?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1811397907698136987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/n-100.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1811397907698136987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1811397907698136987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/n-100.html' title='Nº. 100'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-194449133495017255</id><published>2010-10-11T00:34:00.000+01:00</published><updated>2010-10-11T00:34:35.657+01:00</updated><title type='text'>Don't let me down</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A responsabilidade e a consciência. Talvez sejam coisas em falta no governo dessa outra coisa mais ou menos turva que se chama &lt;em&gt;res publica&lt;/em&gt;. A decisão sobre aquilo que é comum, ultimamente tão debatida e celebrada, leva-me a pensar que o ideário do povo igualitário e respondente começa na esfera pessoal e irrepetível de cada um. Na capacidade de viver rigorosamente o fio da navalha entre a glória e a decepção.&amp;nbsp;Ter o&amp;nbsp;lustro da&amp;nbsp;seriedade que tempera de medo os avanços e de amargura as desilusões.&amp;nbsp;Que faz imperar as paixões em cada gesto e o terror do abismo em cada intenção. Talvez seja basicamente nisto que concerne a impossibilidade de ser pleno.&amp;nbsp;Tudo mais é interdito. Possa residir aqui&amp;nbsp;a&amp;nbsp;obrigatoriedade de que cada vertigem seja saborosa. E o compromisso individual o mais implacável e indispensável padrão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-194449133495017255?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/194449133495017255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/dont-let-me-down.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/194449133495017255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/194449133495017255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/10/dont-let-me-down.html' title='Don&apos;t let me down'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5971298615096932831</id><published>2010-09-25T00:24:00.000+01:00</published><updated>2010-09-25T00:24:13.534+01:00</updated><title type='text'>Just breathe</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes chego à conclusão de que a nossa vida é só uma rua movimentada por onde as pessoas vão passando. Uma rua onde alguns têm casa própria e&amp;nbsp;onde outros arrendam apenas um imóvel para mais tarde acabarem por se mudar. É mentira que a nossa vida seja um T2 apertado que aguarda apenas por um inquilino vitalício. É mentira que a nossa vida seja só um automóvel que nos dá boleia para o sítio mais propício. Não, é&amp;nbsp;mais do que isso.&amp;nbsp;A nossa vida é&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;avenida indefinida&amp;nbsp;onde várias figuras circulam. Onde alguns peões&amp;nbsp;passeiam diariamente, como que religiosamente. Onde outros entram apenas de passagem,&amp;nbsp;até por engano. Nesta travessa não há um plano. E não deve haver engarrafamentos nem sentidos proibidos. E deve existir estacionamentos e&amp;nbsp;sinais para os que andam perdidos. Os transeuntes devem ter sempre o traçado aberto para poderem seguir adiante e também para mais tarde&amp;nbsp;poderem&amp;nbsp;voltar a entrar. E nós próprios turistas de outras ruas onde ausentes passamos a habitar.&amp;nbsp;Visitamos outros bairros, gravamos novas pegadas, percorremos urbanizações sem fim, até ao último esforço, encontramos os locais mais ermos e profundos, partimos&amp;nbsp;para jardins lascivos, onde nos deixamos ficar, sem perder de vista aquela nossa morada. Não vale a pena tentar fechar a circulação, de nada serve bloquear a passagem, o ditame da ordem está gasto. Os habitantes passam, deixam o seu rasto, nós nunca largamos a encruzilhada. E lá, no lufa-lufa da vertigem movimentada, nós somos&amp;nbsp;só o rosto que respira dessa estrada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5971298615096932831?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5971298615096932831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/just-breathe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5971298615096932831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5971298615096932831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/just-breathe.html' title='Just breathe'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4614882526888927860</id><published>2010-09-14T22:06:00.000+01:00</published><updated>2010-09-14T22:06:22.658+01:00</updated><title type='text'>Rentrée</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E subitamente todos regressamos às nossas secretárias. Arrumamos as malas de viagem e voltamos aos passeios rotineiros que nos transportam para a realidade quotidiana. Por esta altura a Graça e o Morais&amp;nbsp;fecham os cofres&amp;nbsp;das bolas de Berlim fresquinhas e os gelados que sobraram nos cafés começam lentamente a ganhar gelo. Os nadadores-salvadores&amp;nbsp;arrumam os calções de banho e&amp;nbsp;as meninas da&amp;nbsp;praia&amp;nbsp;regressam à escola, onde vão&amp;nbsp;acabar por perder o&amp;nbsp;bronze.&amp;nbsp;Os autocarros voltam a encher-se de pessoas com ténis e livros e borbulhas e&amp;nbsp;romances adolescentes. A política, a justiça e o futebol&amp;nbsp;voltam a preencher&amp;nbsp;a nossa agenda&amp;nbsp;ao mesmo tempo que&amp;nbsp;as indústrias de&amp;nbsp;chocolates caros&amp;nbsp;fazem novamente abrir as suas linhas de produção. Em meia dúzia de dias as folhas caem de caducas e nós continuamos a teimar em calçar as sandálias até&amp;nbsp;uma chuvada encher de terra molhada os nossos pés. Tudo faremos para não deixar a nossa vida congelar. Os projectos brotam em catadupa esticando os dias que se vão encurtar e as noites serão mais&amp;nbsp;doces quando o frio chamar ao seu posto o chá e o leite quente. Alguns amores de Verão vão amadurecer à lareira, outros vão entrar em hibernação. A escuridão alimentará o rigor das noitadas de trabalho e os cachacóis o charme do frio. Nessa altura a iluminação pública será a companheira dos transeuntes&amp;nbsp;tardios e&amp;nbsp;os chapéus-de-chuva os abrigos das&amp;nbsp;conversas mais inspiradoras. A geada voltará a encher de frescura o odor das manhãs e será esse o cheiro misterioso dos dias vencedores. As temperaturas tratarão de tornar os sonos mais ternos e os dias menos ociosos, favorecendo ainda os desejos de castanhas assadas. Setembro tem esta melancolia do abandono de&amp;nbsp;tudo o que se tem a perder para voltar a recomeçar. Setembro talvez seja uma espécie de Janeiro verdadeiro que marca a cadência do passar dos anos. E&amp;nbsp;os calendários dos desafios. E os votos de coragem.&amp;nbsp;Sobrevivemos.&amp;nbsp;E necessitamos absolutamente de vestir camisolas de lã e depois vestidos e depois novamente agasalhos. E assistir&amp;nbsp;ao fado perpétuo da&amp;nbsp;natureza que se despoja sem medo. Para&amp;nbsp;nascer&amp;nbsp;outra vez. E subitamente regressar é o movimento imperioso que permite a&amp;nbsp;cada um&amp;nbsp;decidir voltar ou não a partir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4614882526888927860?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4614882526888927860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/rentree.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4614882526888927860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4614882526888927860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/rentree.html' title='Rentrée'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-326214123203704197</id><published>2010-09-05T18:17:00.000+01:00</published><updated>2010-09-05T18:17:59.779+01:00</updated><title type='text'>A Metafísica das Marés</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mar apresenta-se talvez como&amp;nbsp;um infinito incomensurável de impulsos ignorados onde insistimos enfim penetrar.&amp;nbsp;Insinua-se hercúleo e estimulante&amp;nbsp;como&amp;nbsp;um vago horizonte evasivo que se estende numa perpétua e muda&amp;nbsp;hesitação entre ir e voltar. Afaga e seduz as massas nesse impasse interdito da inconstância das ondas e obedece implacável à coragem impossível de quem, sem açaimo nem rédeas, o pretende domar. No oceano como na vida há certas águas imprudentes e destemidas impassíveis de se navegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre as ondas o mesmo poder proibido que concerne às incógnitas, a mesma manipulação profética que a&amp;nbsp;racionalidade académica&amp;nbsp;tenta construir sobre a natureza. Ambas as concepções tão inúteis e redutoras perante o poder libertador de um mergulho coloquial e sem erudição, surdo em relação à&amp;nbsp;honesta eloquência dos versos e à manifesta vagueza da ciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mestre mar ensina-nos a saltar para acompanhar os movimentos mais bondosos, adaptando o corpo ao ritmo insondável que nos embala. Explica-nos que temos de nos deixar ultrapassar pelas oscilações mais fortes, sob pena de acabar irremediavelmente por nos levar. Convida-nos a avançar para levadas de feição e obriga-nos e desertar quando um impulso irascível parece a todo o custo puxar para um lugar onde não queremos ir. O mar talvez não seja o lugar mais seguro para quem&amp;nbsp;procura apenas&amp;nbsp;a certeza de ficar&amp;nbsp;mas será certamente o cenário ideal que quem&amp;nbsp;pretende sentir a vertigem iminente de partir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para corresponder convenientemente aos desideratos do gigante mais ardiloso, às vezes é preciso erguer-se lentamente sobre a prancha, outras vezes há que saltar para ela a pés juntos, sem esperar que em nenhum dos casos o resultado seja propriamente maravilhoso.&amp;nbsp;O terror é a&amp;nbsp;assunção da fraqueza da vontade própria ante a rudeza de um movimento superior que debalde nos engole e se estende impávido numa areia qualquer...&amp;nbsp;Surfar na rebentação pode ser, na vida como na física, o voto da superação do estado de&amp;nbsp;equilíbrio instável. Alcançar a estabilidade pode ser, mais na vida do que na engenharia, uma manobra improvável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-326214123203704197?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/326214123203704197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/metafisica-das-mares.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/326214123203704197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/326214123203704197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/09/metafisica-das-mares.html' title='A Metafísica das Marés'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3070450366141489195</id><published>2010-08-24T00:53:00.000+01:00</published><updated>2010-08-24T00:53:40.549+01:00</updated><title type='text'>La vie en rose</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje preparei a minha mala de viagem, palmilhei quilómetros de estrada e partilhei bancos de transportes públicos. Mudei de ares e de rotina e engalanei o meu espírito para o momento em que poderei enfim esticar-me ao Sol e cumprimentar o Mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro dia de férias é a melhor altura para usufruir desta constatação, assinando um compromisso veemente de não contar jamais os minutos, de não&amp;nbsp;registar segundos&amp;nbsp;perdidos, reiterando votos sinceros de espremer até ao último sumo cada um de todos os dias. É também o momento certo para fazer balanços e concluir preferencialmente que não há férias melhores do que as férias merecidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu&amp;nbsp;ano numa palavra: confiança. O afago que significa o alcance de todas as concretizações sob o julgo da dedicação incessante, sob o condão da inspiração e da sorte, sob o signo do apoio do&amp;nbsp;reforço e do&amp;nbsp;reconhecimento de quem importa considerar. Ainda o suporte de vida deste mundo cor-de-rosa onde posso&amp;nbsp;&amp;nbsp;tratar os regozijos e as recordações, os tons de cinzento e as matizes da imperfeição bem como a catarse dos dias de má memória... tendo sempre quem secreta e silenciosamente os visite com esse quieto mas importante encorajamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Partilho aqui o elogio ao que representa realmente estar disponível para usufruir do direito de aprender e de viver como toda a gente. E partilho também aqui o elogio ao que representa realmente estar disponível para corresponder ao dever de recriar e de viver como ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje preparei a minha mala de viagem e vou saborear das raízes amargas os frutos doces.&amp;nbsp;E é&amp;nbsp;com isto tudo e mais alguma coisa em mente, ou mesmo com nada em mente, que vou finalmente mergulhar o pé na areia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3070450366141489195?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3070450366141489195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/la-vie-en-rose.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3070450366141489195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3070450366141489195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/la-vie-en-rose.html' title='La vie en rose'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2547847346658763330</id><published>2010-08-18T22:28:00.000+01:00</published><updated>2010-08-18T22:28:51.397+01:00</updated><title type='text'>Neutron Star Collision</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caminho é esse trilho enlameado onde não devemos temer a raiva de nadar. O caminho é essa lagoa alvorada onde nos cruzamos e nos ligamos mas que nunca nos vai chegar. O caminho é esse lugar mais do que uma estrada solitária onde escolhemos entre&amp;nbsp;adormecer ou acordar. É esse sorvo original que não conhece o pudor e que procura num campo esquecido a&amp;nbsp;ternura de uma miragem. É essa capacidade de inquietude e de anarquia e de libertinagem a que alguns chamam cobardia e a que outros chamam coragem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2547847346658763330?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2547847346658763330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/neutron-star-collision.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2547847346658763330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2547847346658763330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/neutron-star-collision.html' title='Neutron Star Collision'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3957184025656675002</id><published>2010-08-05T22:47:00.000+01:00</published><updated>2010-08-05T22:47:41.746+01:00</updated><title type='text'>A Biblioteca Municipal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me de subir as escadinhas entre as rudes paredes de pedra no calor do Verão. E sempre que o calor do Verão me afaga com o seu regresso mais eu lamento não poder&amp;nbsp;regressar ao lugar das tábuas de madeira tingidas de&amp;nbsp;onde o mundo inteiro de frivolidades&amp;nbsp;se apartava para que, como num refúgio secreto, pudéssemos marcar um encontro sincero com os livros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me do cartão de identificação da biblioteca que era colorido assim como as folhas de requisição. Eram do mais terno cor-de-rosa, azul ou verde que pela cegueira da memória já não sei precisar. Mas precisos eram os traços escritos à mão para os preencher, com a honestidade e espontaneidade do manuscrito que uma tal modernidade se propôs anular. Era um tempo em que seria anedótico conjecturar a ideia de um computador que pudesse conhecer melhor o código das prateleiras alfabetizadas, tão impecavelmente limpas e organizadas, do que o bibliotecário, só ele,&amp;nbsp;podia decifrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me de ir buscar os livros infantis à esquerda, na segunda prateleira a contar do chão. Disposição lógica para a acessibilidade das crianças, muito embora ainda hoje saibamos reconhecer que não é a altura das prateleiras o que nos impede de chegar aos livros. Mais tarde os locais de procura foram-se estendendo para outras estantes, acompanhando a tímida amplificação dos interesses e seguindo as criteriosas sugestões do bibliotecário. Um tempo em que um bibliotecário não só era um poço de carisma&amp;nbsp;como era alguém que efectivamente lia livros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me de descobrir o cheiro das páginas por folhear, o odor das palavras lidas que é tão diferente e tão mais generoso do que ar incógnito das linhas por ler. O primeiro toque quase orgástico das folhas de papel sempre virgens e impávidas, aguardando silenciosas quem as venha despentear. O primeiro diálogo mudo com um livro como um primeiro amor, como a descoberta de um corpo nu com rimas e cantos por desvendar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me da pureza sacrificial de transportar responsavelmente o tesouro de um livro no ritual de caminhar para a saudosa&amp;nbsp;Biblioteca Municipal e lembro esse tempo que já não mora senão na brisa que corre onde habitavam as paredes demolidas. O lugar onde parávamos sem que&amp;nbsp;o tempo&amp;nbsp;desse conta das horas é onde hoje estacionam de forma passageira e desconcertada os automóveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me dos laços que fazemos e dos quais por vezes tão levianamente nos desfazemos. E da quantidade de lugares que amámos desesperadamente e que depois deixámos ruir. E essa brisa sinto-a agora, ainda intocada, encantadora, guardada no interior de um livro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3957184025656675002?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3957184025656675002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/biblioteca-municipal.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3957184025656675002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3957184025656675002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/biblioteca-municipal.html' title='A Biblioteca Municipal'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1102771715366242068</id><published>2010-08-03T20:18:00.000+01:00</published><updated>2010-08-03T20:18:14.586+01:00</updated><title type='text'>Às Homenagens em Vida</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="360"&gt;&lt;param name="movie" value="http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/CONTEUDOS/sicweb/feio_18520094350_web.flv&amp;Link=http://sic.sapo.pt/online/video/programas/globosdeouro-2008/2009/5/nuno-lopes-oferece-globo-a-antonio-feio.htm&amp;ztag=/sicembed/entretenimento/&amp;hash={49907C64-BDD0-4038-B969-BBC891DBD4D5}&amp;embed=true&amp;autoplay=false"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/CONTEUDOS/sicweb/feio_18520094350_web.flv&amp;Link=http://sic.sapo.pt/online/video/programas/globosdeouro-2008/2009/5/nuno-lopes-oferece-globo-a-antonio-feio.htm&amp;ztag=/sicembed/entretenimento/&amp;hash={49907C64-BDD0-4038-B969-BBC891DBD4D5}&amp;embed=true&amp;autoplay=false" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="480" height="360"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1102771715366242068?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1102771715366242068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/as-homenagens-em-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1102771715366242068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1102771715366242068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/08/as-homenagens-em-vida.html' title='Às Homenagens em Vida'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5682358876135408981</id><published>2010-07-27T22:59:00.000+01:00</published><updated>2010-07-27T22:59:48.779+01:00</updated><title type='text'>Déjà-vu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu detesto nas pessoas passivas é essa capacidade de se deixar ir para lado nenhum,&amp;nbsp;de se alhear de todos e de alguém como se na realidade fosse indiferente, a todo o momento, fazer o que deve ser feito&amp;nbsp;ou&amp;nbsp;fazer outra coisa qualquer.&amp;nbsp;O que eu detesto nas pessoas irresponsáveis é essa capacidade de deixar cair seja quem for que se carrega nas mãos, contando com um indulto quase incestuoso desse mesmo alguém que se deixa esborrachar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E detesto isto como quem é alérgico a uma coisa que dá comichão mesmo antes de se tocar, provocando reacções desmesuradas e imediatas na superfície cutânea,&amp;nbsp;tratáveis apenas pelo afastamento definitivo da&amp;nbsp;dita coisa que as espoleta.&amp;nbsp;E detesto isto como a um vício que é traiçoeiro, redundante e persistente, resistente a todos os tratamentos, químicos, grupos de auto-ajuda, actos de contrição, confissões e pedidos de desculpa. E detesto isto como quem se debate&amp;nbsp;com a impossibilidade que é almejar como remissória a própria natureza de alguém.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os episódios em que os referidos eventos acontecem são passíveis de se identificar com relativo rigor sempre que o alvo for repetente nas cenas e se tenha tornado por isso absolutamente alérgico.&amp;nbsp;É sempre a mesma vertigem de estar perante um aglomerado de qualquer coisa inerte que, no seu peso atravancado, não avança nem deixa caminhar.&amp;nbsp;É sempre o mesmo horror de assomar&amp;nbsp;a visão de um adulto num corpo de criança, desprovido de referências, princípios ou aspirações, uma criança que brinca fora do tempo uma infância sem lugar para existir. É sempre a mesma sensação de que há por aí reboques que nada esperam senão um tractor que lhes conceda uma trajectória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O&amp;nbsp;quadro é&amp;nbsp;austero e triste, porém permeável ao toque de alguma comicidade. Bem propício a um fatal e marcante&amp;nbsp;e irremediável déjà-vu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5682358876135408981?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5682358876135408981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/deja-vu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5682358876135408981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5682358876135408981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/deja-vu.html' title='Déjà-vu'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5590278906489271717</id><published>2010-07-15T20:12:00.000+01:00</published><updated>2010-07-15T20:12:33.933+01:00</updated><title type='text'>Outra vez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje regresso a casa e, adivinhem o quê, outra vez menos alguém aqui. Outra vez menos alguém com quem me cruzar ou acenar, outra vez menos alguém para tomar conta disto até eu voltar. Outra vez menos alguém a quem servir um copo, menos alguém sobre quem comentar, especular ou até inventar aqui ou ali. Que é o que fazemos tantas vezes às pessoas da terra, num sadismo carinhoso que só podemos exercer enquanto as trazemos cá. Outra vez menos uma fatia de bolo ou um desejo que se partilha pelos anos ou mesmo menos um carro pela estrada ou um olhar pela casa que fundamos no mesmo solo. Menos. Menos uma e outra vez. Essa sensação revezada de que uma mutilação silenciosa se evade por estas ruas, arrastando para o álbum das recordações soturnas, como monumentos petrificados algures, as pessoas de quem há bem pouco tempo se sabia novidades. Uma e outra vez e vezes demais e sempre por enquanto até à próxima vez esse estranho fuzilamento que os apaga, aniquilando-nos também, e reunindo inutilmente gente porreira com óculos de sol no largo da igreja. E outra vez o caminho do qual não se fala e donde sairemos jamais ilesos, onde nos vemos outra vez menos perto daqueles que foram o nosso presente desembrulhado e que agora jazem no embrulho dos sempre chorados e esquecidos bons velhos tempos. Mais. Ao fim de contas agora fica mais por fazer e por herdar. Mais e maior a responsabilidade de regressar. Mais triste será a alegria dos fogos pela festa anual e mais teremos nós que a saber festejar.&amp;nbsp;Mais espaço sobrará nas avenidas por onde passear. Mais fraga a crescer nestes matos, mais portas por desenferrujar. Mais um post inútil neste quadro, sobre aquelas vezes em que custa voltar. Hoje eu volto a casa outra vez e, mais do que nas outras vezes,&amp;nbsp;hoje como nenhuma vez... vezes sem conta e eu sem ver nunca mais a casa para onde queria voltar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5590278906489271717?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5590278906489271717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/outra-vez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5590278906489271717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5590278906489271717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/outra-vez.html' title='Outra vez'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4043252091243893514</id><published>2010-07-07T21:56:00.000+01:00</published><updated>2010-07-07T21:56:26.539+01:00</updated><title type='text'>Esquadros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É especialmente curioso quando eu vou a um concerto. Quando eu vou a um concerto e acontece acompanhar um cantor numa música. E subitamente até fico constrangida ao ver que ele se engana frequentemente na letra. Eu a passar anos da minha vida para decorar uns versos quase de propósito para aquela noite em que se proporciona cantarmos juntos, naquele mil vezes&amp;nbsp;sonhado dueto perfeito... para ele acabar por cantar uma coisa diferente. Mas eu desculpo. Praticamente sempre. Chego mesmo a aplaudir. Eu valorizo a sua criatividade e ele certamente não se incomoda com o espaço ocupado pela minha imaginação no meio da gente toda. Conseguimos frequentemente esta coisa difícil que é citar versos diferentes de uma mesma canção e depois termos cada um a mesma&amp;nbsp;alegria pacífica e silenciosa. A partir do momento final, e irremediavelmente,&amp;nbsp;eu recomeço a minha vida com&amp;nbsp;as minhas rimas&amp;nbsp;daquela canção e ele vai continuar&amp;nbsp;a espalhar&amp;nbsp;as suas por outro palco qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez até seja verdade que o melhor de um concerto resida neste hiato descompassado entre o ritmo do artista e o tempo individual dos elementos do público,&amp;nbsp;todos&amp;nbsp;a apresentar repentinamente uma mesma peça que cada qual tantas vezes&amp;nbsp;treinou sozinho. E que nunca mereceu um ensaio geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A incorrecção semântica entre as palavras da melodia&amp;nbsp;do cantor e a letra da audiência oferecem&amp;nbsp;significado infinito ao espectáculo, sendo que a errância das sílabas que unem os dois mundos mora no abismo de conceitos de que as canções se fazem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As noções perdem-se no ar dos anfiteatros entre mensagens sem remetente e códigos sem destinatário, apresentando essa reunião insólita de equívocos, nas linhas de um mesmo poema, o verdadeiro fio desconcertado com que se cosem os concertos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4043252091243893514?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4043252091243893514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/esquadros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4043252091243893514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4043252091243893514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/07/esquadros.html' title='Esquadros'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5108706177383510780</id><published>2010-06-30T22:55:00.000+01:00</published><updated>2010-06-30T22:55:19.420+01:00</updated><title type='text'>Os pontos finais são secos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pontos finais são secos. E absolutamente estéreis. Fatais, subversivos. Os pontos finais são as bolas mais quadradas de todas. São as bolas mais inconscientes que alguém um dia já viu, incapazes de se saber a rebolar para outra coisa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pontos finais são apostas em dar a uma frase um tom austero e a pontuar finalmente um pensamento com um ar assustador e convicto e seco de quem se leva extremamente a sério. De quem quer enfim e afinal acabar por chegar ao final.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a secura de um ponto final tem mais humidade e suor e amargura do que uma vírgula qualquer. Pode ter mais humor e génio do que as pálidas reticências sem tom. E até mesmo exclamar um grito contundente com mais vigor do que o histérico ponto de exclamação. Não há forma de terminar uma mensagem sem chegar a um final contundente que pode ser não mais do que um manisfesto desejo de recomeçar&amp;nbsp;a escrever mais e sempre e continuamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, os&amp;nbsp;pontos finais são o pior tipo de bolas, as&amp;nbsp;bolas armadas em quadrados. A quadratura dos finais tem sempre algo de cíclico e circular. E os começos são sempre quadrados antes de os começarmos a lapidar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5108706177383510780?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5108706177383510780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/os-pontos-finais-sao-secos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5108706177383510780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5108706177383510780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/os-pontos-finais-sao-secos.html' title='Os pontos finais são secos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8043961174743584921</id><published>2010-06-28T22:57:00.000+01:00</published><updated>2010-06-28T22:57:28.894+01:00</updated><title type='text'>That's what friends are for</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para captar os melhores momentos mesmo que fiquemos mal na fotografia. Para dizer disparates a tal ponto de já não se lembrar onde ia. Para falarmos tudo mesmo sem dizer. Para nos fazer passar um dia inteiro a comer e a beber. Para sermos mais e melhores do que alguma vez seríamos. Para&amp;nbsp;nos conceder&amp;nbsp;uma realidade bastante superior ao que alguma vez sonharíamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por mais que estejamos encharcados faz-nos sempre sentir leves. E ainda que demorados todos os minutos parecem breves.&amp;nbsp;Adiamos as horas e deitamo-nos&amp;nbsp;tarde sem saber o segredo. Pelo qual no dia seguinte parece sempre que tudo acabou demasiado cedo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8043961174743584921?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8043961174743584921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/thats-what-friends-are-for.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8043961174743584921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8043961174743584921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/thats-what-friends-are-for.html' title='That&apos;s what friends are for'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5691736851822811224</id><published>2010-06-26T19:58:00.000+01:00</published><updated>2010-06-26T19:58:55.180+01:00</updated><title type='text'>Desculpa(s)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A culpa é um inimigo insuportável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os culpados devem pedir desculpa e encontrar no perdão maior e melhor descanso, ao invés de cultivar o vício vil de um qualquer escape aparentemente desculpabilizante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A culpa é um inimigo execrável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os desculpados optam por inventar desculpas e sucumbir a uma tal espécie de vitimização da qual acabam por nunca, efectivamente, se desculpar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A culpa é deixarmos estar alguém como um objecto de vidro mesmo próximo da aresta de uma mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois dizermos que foi um tremor ou um sopro de vento ou um acaso infeliz, mais do que nós próprios, a deixá-lo cair.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5691736851822811224?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5691736851822811224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/desculpas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5691736851822811224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5691736851822811224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/desculpas.html' title='Desculpa(s)'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3003330828233673150</id><published>2010-06-15T18:47:00.002+01:00</published><updated>2010-06-15T19:36:25.249+01:00</updated><title type='text'>Just can't get enough</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deste canto embaraçado falo do abraço. A uma mão, a um amor, a um mar, a um mundo. No geral um abraço é sempre o cerrar de um laço profundo. No geral um abraço é sempre o esmagar do ar que ocupa espaço entre nós, encurtando a distância através de compridos nós. No geral um abraço é o que me empurra e me aperta contra ti, sendo que deve ser exactamente por causa dessa forma cruzada que lhe chamamos carinhosamente um xi. Há também quem lhe chame amplexo... mas isso é estar a acrescentar erudição inútil a um conceito tão pouco complexo. Ainda assim, não quero com isto dizer que não seja uma arte motora com muita técnica, requerendo tantas vezes elasticidade tensora, inspiração e até iluminação cénica. Quem os vê de repente até pode pensar que se trata duma espécie de arte marcial em que os corpos se degladiam. Mas na realidade é a forma mais normal de amassar os afectos que se adiam. Os abraços são, no seu mais intenso querer, muito superiores a uma soma entre atacar e defender. Os abraços servem para contarmos às escondidas coisas que queremos lembradas. E também para comemorarmos jornadas de outras coisas que temos esquecidas. Os abraços têm os efeitos terapêuticos mais diversos e até ao momento não lhes foram reconhecidos traços imperfeitos ou resultados adversos. Ainda assim, os desejos de abraços trepam como larvas e fazem, muitas vezes, as pessoas escreverem sobre coisas parvas. Dependendo das ocasiões posso preferir dos que há mais gigantes ou outros dos que são mais pigmeus. Mas agora, mais do que antes, apetecem-me os teus. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3003330828233673150?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3003330828233673150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/just-cant-get-enough.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3003330828233673150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3003330828233673150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/just-cant-get-enough.html' title='Just can&apos;t get enough'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5945607603412840704</id><published>2010-06-05T18:47:00.000+01:00</published><updated>2010-06-05T18:47:01.719+01:00</updated><title type='text'>No topo do bolo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje lembrei-me do primeiro dia em que engoli,&amp;nbsp;sem querer, um caroço de cereja. No início veio a aflição de quem, inadvertidamente, deixa escorregar alguma coisa que não devia. Depois veio a interrogação sobre quais os danos e saídas possíveis de um tal&amp;nbsp;hóspede indesejável. Lá me explicaram que pode acontecer, que não há nada a fazer senão deixar&amp;nbsp;que o caroço siga o seu curso e acabe por encontrar a única saída possível. Concluí que tinha tido a experiência de encontrar um caroço aventureiro ou, por outra, experimentar conceder a um caroço uma aventura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o decorrer dos tempos acabei por ir, pontualmente, engolindo um ou outro caroço. Alguns deles especialmente indigestos e indesejáveis. No início veio a aflição de quem, inadvertidamente, voltou a deixar escorregar alguma coisa que não devia. Depois veio a&amp;nbsp;constatação dos danos e saídas possíveis.&amp;nbsp;A cada qual me encontrei nesse fim de tarde abafado onde me ensinaram que pode acontecer, que não há nada a fazer senão deixar que o referido siga o seu curso e acabe por encontrar a única saída possível. Na realidade, talvez os caroços de cereja e os caroços da vida acabem por ter exactamente o mesmo fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os anos passaram e as cerejas continuam a chegar com os dias compridos, sempre renovadamente encarnadas e tentadoras. Sempre deliciosas e irresistíveis. Sempre com caroço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuo a pensar que vêm sempre aos molhos para insistir em&amp;nbsp;educar-nos essa habilidade de conseguir sorver o miolo das coisas e deitar fora o caroço.&amp;nbsp;Para insistir em&amp;nbsp;lembrar-nos&amp;nbsp;que quando se chega a um topo onde há uma cereja, chega-se também a um cume com caroço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5945607603412840704?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5945607603412840704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/no-topo-do-bolo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5945607603412840704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5945607603412840704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/06/no-topo-do-bolo.html' title='No topo do bolo'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-101395748107309394</id><published>2010-05-25T20:29:00.000+01:00</published><updated>2010-05-25T20:29:50.069+01:00</updated><title type='text'>Navegar, navegar...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre gostei de fazer barquinhos de papel. Gosto, pronto. A história começa sempre no surdo silêncio do ócio, na cega solidão acompanhada, na rasgada ternura da infância. Vai-se olhando vagamente para um qualquer guardanapinho, folhita ou bilhete e enamorando-se da sua forma informal e disforme, quase a suplicar por uma nova viagem. Ao toque,&amp;nbsp;o seu rosto usado é como que um doce em dia de festa ou um mergulho em dia de praia, irresistível. Um barquinho de papel podia perfeitamente ser feito a partir de um quadrado mas, na realidade, um meio de transporte tão imperfeito nunca seria perfeito se procedesse de um quadrado. Na verdade, os quadrados de pouco servem nesta vida, sobretudo se for para transformar e mudar, sobretudo se for para repensar, sobretudo se for para viajar. Nesse sentido, basta apenas um rectângulo ousado de quase todas as proporções.&amp;nbsp;Vão-se alinhando as pontas enquanto se&amp;nbsp;desarrumam os sentidos sem ponta por onde pegar.&amp;nbsp;Vão-se&amp;nbsp;unindo os cantos, deixando o resto de tudo arrumado num canto qualquer. As dobras devem ser lavradas veementemente com a insistência com que se vincam os mais&amp;nbsp;venturosos trilhos e as arestas amassadas do papel calcadas pelo método da mais artística geometria. A meio do caminho pode sempre servir para pôr na cabeça o nosso projecto de barquinho, fica-se com&amp;nbsp;o chapelinho&amp;nbsp;de um qualquer soldado a vigiar. Mais volta menos volta, é fundamental o cuidado que se tem a dobrar e desse soldado revirado ficamos com uma flor que até se pode assoprar. Vai-se enamorando da obra e com gosto a flor desabrochar, que com jeito a desdobra vai o barquinho montar. Mais volta menos volta já qualquer solidão desatinada parte para um novo alinhar e vai decerto na volta aqui um marinheiro encontrar. Navegar num copo de água sem ondas ou até em ondas sem mar. Navegar num prato ou numa secretária, onde quer que vão desafogar. Ficará talvez depois largado o barquinho, inclinado, naufragado, encalhado,&amp;nbsp;sei lá, e sozinho. Na fenda entre o ir e o voltar, amado fez novo caminho. Sobre a origem deste transporte, não sei, deve ter sido sonhado um dia com carinho, quando em ócio ao pé dum papel alguém como uma criança terá caído do ninho. Depois das voltas deve ser sempre para lá que me leva o barquinho. Tanto trabalho para ainda alguém revirar o sonho desafogado e o atirar para o cesto do lixo a granel... Pensa-se que é para lá,&amp;nbsp;onde já não giram os moinhos, lá para onde&amp;nbsp;os tolos enviam, sem saber, os barquinhos de papel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-101395748107309394?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/101395748107309394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/navegar-navegar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/101395748107309394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/101395748107309394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/navegar-navegar.html' title='Navegar, navegar...'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6988154026918645742</id><published>2010-05-24T20:11:00.000+01:00</published><updated>2010-05-24T20:11:43.014+01:00</updated><title type='text'>O amor depois dos 20</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem diga que para tal universalidade e infinitude não poderá constituir a idade qualquer óbice.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suponho que&amp;nbsp;nesse&amp;nbsp;âmbito falemos sobretudo da essência da matéria que, em todo o caso, jamais mudará, pesem as tentativas constantes de a automatizar, industrializar ou mesmo plastificar. Ainda assim, a sua forma apresenta alguma volatilidade de ritmo e germinação, procedendo de estádios pessoais&amp;nbsp;mais ou menos inflamáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É com algum alívio mas, ao mesmo tempo,&amp;nbsp;alguma apreensão que constato que já o amor depois dos 20 é muito menos impetuoso e estandardizado&amp;nbsp;do que aquele que, na adolescência,&amp;nbsp;parece ser&amp;nbsp;movido por uma qualquer borbulha. Ainda assim, o resultado da sua combustão poderá (ou não), nesta realidade, ter mais impacto e sustentabilidade&amp;nbsp;do que uma mera erupção cutânea. São penosos os caminhos da jovem experiência e da maturidade com que se paga o cair das vendas de uma candura primeira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que possa ter este amor maiores os seus alicerces e menos opacas as suas vendas, fundado numa robustez epidérmica de mais longas sensações e, de preferência,&amp;nbsp;menos penosas cicatrizações. Que possa este amor ser mais um antes do que um depois. Que possam as formas, de todas as formas, deixar de importar. Que possa esta patetice naïf da passagem do tempo deixar de teimar em emoldurar o amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6988154026918645742?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6988154026918645742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/o-amor-depois-dos-20.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6988154026918645742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6988154026918645742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/o-amor-depois-dos-20.html' title='O amor depois dos 20'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5424413366928840518</id><published>2010-05-17T21:03:00.000+01:00</published><updated>2010-05-17T21:03:03.966+01:00</updated><title type='text'>Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;25 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi dizer que mais depressa do que imagino darei por mim a prantear... foi de fugida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como mais&amp;nbsp;honroso tesouro guardo num cofre a inconsciência&amp;nbsp;dos anos que&amp;nbsp;um dia&amp;nbsp;tarde farão inveja&amp;nbsp;à própria mais do que a qualquer outra. Nada melhor do que a inconsciência pode gerar maior cobiça&amp;nbsp;ainda que&amp;nbsp;também ela se muna de insondáveis mantos por desvelar. Será tão infinita e insólita quanto as sucessivas subidas e descidas por assaltar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da tenra espinha vai germinando uma mais sólida coluna vertebral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na arruada parto&amp;nbsp;pujada por duas bagagens em preâmbulo. A bolsa amassada do despojo passado. A bolha insuflada do&amp;nbsp;bojo sonhado. Neste pacote engalanado do tempo presente é a bolsa que me compassa o caminho e é a bolha que me inclina para a frente. Seja sempre o peso da segunda superior à carga da primeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E são umas admiráveis bodas de prata comigo própria o que comemoro nesta segunda-feira.&amp;nbsp;O moínho&amp;nbsp;da convivência continuada é sempre um feito,&amp;nbsp;concertando tantas estranhas inquilinas numa mesma&amp;nbsp;morada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;25 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvi dizer que é melhor que&amp;nbsp;não mais me adie a largada... não&amp;nbsp;vá o relógio pregar&amp;nbsp;partida...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5424413366928840518?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5424413366928840518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/ouvi-dizer-que-o-mundo-acaba-amanha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5424413366928840518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5424413366928840518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/ouvi-dizer-que-o-mundo-acaba-amanha.html' title='Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-728816068489581906</id><published>2010-05-11T00:31:00.000+01:00</published><updated>2010-05-11T00:31:01.317+01:00</updated><title type='text'>Camisolas Berrantes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem não goste de rebanhos. Há quem abomine essas manadas de mímica onde tantos se omitem e se anulam sob o pretexto do conforto sensaborão que pode oferecer um qualquer mercado social de economia de escala. É um facto que o seu esquema reprodutor se multiplica como uma qualquer urtiga difícil de suster. É um facto que na maioria dos núcleos de convívio entre adultos passará este jogo por uma qualquer reedição pueril que se situa entre a comicidade e a farsa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, momentos há em que pertencer a uma imensa tribo inofensiva poderá, mesmo para uma tal céptica das dinâmicas grupais, ter o seu proveito. Quando a leveza da competitividade clubística se une a uma tal candura da emoção desportiva, todos os motivos são bons para celebrar. Haja tais momentos em que, na falta de dados basilares que nos aproximem, possam estas cores e hinos envolver na festa de uma única tonalidade ovelhas de vários matizes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquecendo as pestes de qualquer índole mais fragosa e rastejante, que bem que sabe uma&amp;nbsp;tal&amp;nbsp;dança ao largo como uma papoila saltitante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-728816068489581906?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/728816068489581906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/camisolas-berrantes.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/728816068489581906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/728816068489581906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/camisolas-berrantes.html' title='Camisolas Berrantes'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8447333008052015168</id><published>2010-05-03T20:11:00.000+01:00</published><updated>2010-05-03T20:11:26.848+01:00</updated><title type='text'>Alma Mater</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho para mim que as Mães são o melhor exemplo de que o contrato de propriedade dos encantos da vida não envolve qualquer promessa de facilidade. Pesem quaisquer dores físicas ou morais, danos de alma ou inquietudes de consciência, o caminho da maternidade desdobra-se infinitamente em abnegação e indulgência. Segue de mãos dadas no encontro de uma reflexão profunda sobre a gestão de um legado onde se explanam diariamente os predicados do saber ser e do dever ser. Segue de mãos dadas com uma criança espelhada em si como um universo de possibilidades e prossegue em parceria com um adulto que concretiza em si a universalidade possível. Parte de um longo e temeroso percurso onde deve reinar convicta a responsabilidade de um "faz o que eu quiser" para um trilho iluminado pela responsabilização de um "faz o que quiseres".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que, depois de ser Mãe, uma mulher fica com os pés maiores. Tem piada. Talvez seja para se apoiar com mais solidez contra todas as forças ventosas com que a fustiga o futuro. Talvez seja para que ligação à Terra se multiplique em perspicácia e pragmatismo, consistência e realismo. Talvez seja o corpo a responder a um apelo do caminho, a prevenir-se para dar passos a dobrar, para correr a dobrar, para amar a dobrar, para resistir a dobrar. Ou talvez seja só mais um ditado popular a sobrecarregar de pressão uma&amp;nbsp;mulher para ser mais do que um errante e finito ser humano qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E dou por mim, ainda impregnada em fluido amniótico, sentada à mesa a ver um filme com a minha Mãe. As duas a chorar com o raio do filme sobre mães e filhas. Oh Mãe, chiça, este filme é mesmo de todo - digo eu, a soluçar. Ainda é disto que eu gosto de ver -&amp;nbsp;responde a minha Mãe. Tens razão Mãe, a vida boa é a que nos toca, que nos emociona. Que nos liga e nos implica sempre mais. Tens razão Mãe, vamos sentar-nos a vida inteira em frente a uma qualquer televisão a ver um filme triste. Vamos chorar esse filme triste enroladas ao nosso inquebrável cordão umbilical. Vamos chorar esse filme triste&amp;nbsp;a sentir-nos assim tão felizes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8447333008052015168?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8447333008052015168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/alma-mater.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8447333008052015168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8447333008052015168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/05/alma-mater.html' title='Alma Mater'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8365290914824294216</id><published>2010-04-25T23:38:00.000+01:00</published><updated>2010-04-25T23:38:13.057+01:00</updated><title type='text'>Ósculos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A solene loucura de uma coisa correr bem quando, na sua teia de complexidade e obscurantismo, teria essa tal coisa tantos trilhos conjecturais por onde correr mal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejamos por analogia a suave metáfora de um beijo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se unem por duas bocas quatro lábios no surdo poema de um beijo unem-se também, e não o ignoremos, dois mundos de medos e sonhos assombrosamente egoístas e diferentes. Nessa ligação emergirá talvez uma súbita e mais lírica alteridade de oscular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando um somatório de cerca de&amp;nbsp;64 dentes preparados e dispostos a cortar,&amp;nbsp;triturar ou rasgar, habituados inclusivamente a protagonizarem o&amp;nbsp;orgulho narcisista&amp;nbsp;de um sorriso, se anulam em favor de um momento superior há um avassalador evento de humanidade que nos preenche. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Igualmente prodigiosa será a dança de mais ou menos proeminentes narizes. Não menos prodigioso será o ardil com que eventualmente se manobrem também próteses oculares e dentárias, prontas a fustigar... Cada alma tem os seus inefáveis detalhes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o veremos melhor saberemos então que até a rotina trilhada no sabor de um ósculo será ela não mais do que a vitória sobre um obstáculo que poderemos enfim comemorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eloquente será&amp;nbsp;ainda celebrar tal ardil da prevalência do afecto sobre a destruição num tal 25 de Abril onde também à dignidade indolor devemos profunda gratidão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8365290914824294216?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8365290914824294216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/osculos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8365290914824294216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8365290914824294216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/osculos.html' title='Ósculos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8568852095414673388</id><published>2010-04-19T19:11:00.000+01:00</published><updated>2010-04-19T19:11:14.372+01:00</updated><title type='text'>Je ne regrette rien</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembras-te daquele pessegueiro entre cujos ramos em flor me tiraste em tempos aquela que seria, para todos os efeitos, a mais bonita fotografia de sempre daqueles tempos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morreu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito me estranhou um dia destes quando, enquanto passava casualmente pelo quintal, o vi ausente. Lá me explicaram então que os pessegueiros são árvores extremamente perecíveis, de parca longevidade. Lá vão crescendo lentamente e escapando a uma ou outra maleita, lá vão esboçando ao clima uns quantos sorrisos para escapar às intempéries, vai-se contando com eles para&amp;nbsp;demulcir todos os estios e eis quando,&amp;nbsp;sem aviso, o inevitável acontece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morrem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito teria a dizer sobre pessegueiros e outras árvores de fruto mais ou menos frutíferas, mais ou menos sazonais e efémeras. Ainda assim, devo porém referir que deve caber no orgulho de uma árvore caduca ter um dia oferecido razoáveis pêssegos para roer ao calor, sendo também de acrescentar que não são os seus contados dias que a impedem ainda de figurar em algumas das que podem ser, para todos os efeitos, as melhores imagens de sempre duns determinados tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mortos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estarão de cansaço e alegria quando um dia penetrarem novamente uma sombra tranquila duma qualquer árvore de novos tempos entre cujos ramos espreitem desalmadamente pequenas flores. Na brisa sedosa que agita impávida os seus milhentos pólenes correrão alados todos os tipos de arbustos mais ou menos falecidos, a agitar em espirros e comichões&amp;nbsp;novos serões. Nessa tarde saberão, exaustos, que, para bem ou para mal dos tempos, a perenidade não é para todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8568852095414673388?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8568852095414673388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/je-ne-regrette-rien.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8568852095414673388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8568852095414673388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/je-ne-regrette-rien.html' title='Je ne regrette rien'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2666269080080026576</id><published>2010-04-11T23:50:00.000+01:00</published><updated>2010-04-11T23:50:52.724+01:00</updated><title type='text'>Ne me quittes pas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa cidade estranha, entre ruas agitadas de turistas, comerciantes, artistas, pedintes e afins, jaz incógnito o objecto perdido. Acaso será possível concretizar a impossibilidade de o achar? Acaso não serão as relações sociais uma imensa e intensa banca de perdidos e achados? A todo o instante não seremos todos um objecto deixado em algum lugar... Em cada quadrante não seremos todos um dono aflito que não se cansa de procurar... Acaso será audível esta súplica, este apelo de que somos simultaneamente remetentes e destinatários, por tudo o que somos susceptíveis de ter abandonado em alguma parte e tudo o que seremos susceptíveis de vir nesse sítio a encontrar. Para o prodígio concorre o instinto fiel da boa vontade, emanado da boa fé e da confiança com que se regam possíveis opositores. Para o prodígio concorre a ultrapassagem da descrença e do pessimismo, a vitória sobre o derrotismo, a força da boa consciência de&amp;nbsp;quem, não crendo, não se opõe a acreditar. Entretanto jaz inquieto o objecto perdido que surdo sussura "não me deixes..."... O tempo é absolutamente precioso quando no frenesim dos passos largos lhe grita apertado o seu dono "não me deixes..."... Quando os dois se encontram há um mundo inteiro de improbabilidades que se iluminam. Quando os dois se encontram há um mundo inteiro de impossibilidades que se sobrevivem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2666269080080026576?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2666269080080026576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/ne-me-quittes-pas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2666269080080026576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2666269080080026576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/ne-me-quittes-pas.html' title='Ne me quittes pas'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7842581589478277974</id><published>2010-04-06T19:28:00.002+01:00</published><updated>2010-04-06T20:27:03.764+01:00</updated><title type='text'>Les Jours Tristes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Do que tratam os dias tristes como os de Yann Tiersen...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da pior das saudades, a saudade de si próprio. A saudade do calor já no gosto pelo frio, a sombra de ficar já na luz de partir. O augúrio do futuro por vir. A alegria maior de viver o mais absoluta e profundamente um dia triste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da tristeza que é sempre uma velha conhecida, mesmo num lugar estranho. A imensa fraternidade de a rever tão longe e tão perfeitamente... Enquanto que qualquer pedaço de terra serve para ser feliz, há lugares especiais que melhor se prestam a ser triste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da tempestade de Ruïsdael cristalizada entre os mil triângulos do Louvre, no cheiro dos seus corredores. Agora enfim já sei a que cheiram. Cheiram a uma imensidão que simultaneamente nos agiganta e nos esmaga. Cheiram a passado ilustre e lustroso, cheiram a vitórias e a morte. Cheiram à maior guerra contra o esquecimento, à luta da memória. Cheiram à maior derrota contra o tempo... E cheiram a dias tristes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dos humanos. Das vidas dos humanos que passaram sem regresso, a esses humanos como nós. Todos esses humanos que amaram, sonharam empreender a maior arte. Todos esses humanos que questionaram a sua mortalidade, que temeram e que prevaricaram, que lutaram, que tiveram dias tristes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do mais energúmeno sentimento de tristeza, pergunto - será o negro a ausência de cor ou a mais completa intensidade de todos os tons?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eis senão quando se vem a encontrar do mais pleno dia triste... a noite mais feliz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7842581589478277974?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7842581589478277974/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/les-jours-tristes.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7842581589478277974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7842581589478277974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/les-jours-tristes.html' title='Les Jours Tristes'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1656914915333856133</id><published>2010-04-06T00:03:00.003+01:00</published><updated>2010-04-06T00:07:28.044+01:00</updated><title type='text'>Ça c'est pour moi le plus beau et le plus triste image du monde</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7ps5aUMj_I/AAAAAAAAADI/menHJv240_8/s1600/triste.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456793632085151730" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7ps5aUMj_I/AAAAAAAAADI/menHJv240_8/s400/triste.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1656914915333856133?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1656914915333856133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/ca-cest-pour-moi-le-plus-beau-et-le.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1656914915333856133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1656914915333856133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/ca-cest-pour-moi-le-plus-beau-et-le.html' title='Ça c&apos;est pour moi le plus beau et le plus triste image du monde'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7ps5aUMj_I/AAAAAAAAADI/menHJv240_8/s72-c/triste.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1923522238178088258</id><published>2010-04-05T23:39:00.000+01:00</published><updated>2010-04-05T23:39:03.093+01:00</updated><title type='text'>Nous sommes ensemble</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7pk1cDqXUI/AAAAAAAAADE/mb6fPGLYWjM/s1600-h/nous.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" nt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7pk1cDqXUI/AAAAAAAAADE/mb6fPGLYWjM/s320/nous.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7pk1cDqXUI/AAAAAAAAADE/mb6fPGLYWjM/s1600/nous.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="60" src="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7pk1cDqXUI/AAAAAAAAADE/mb6fPGLYWjM/s320/nous.JPG" style="filter: alpha(opacity=30); left: 426px; mozopacity: 0.3; opacity: 0.3; position: absolute; top: 83px; visibility: hidden;" width="96" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Jantámos demoradamente as experiências que fomos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ceámos agradavelmente os novos que somos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Amámos, disjuntos, o conjunto de pássaros que lançámos ao ar.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Recebemos, adjuntos, o conjunto de nuvens de que nos ousámos abrigar.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;E rimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Mas na esfera a que nos opomos não estivemos sós.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Antes fomos cada um no seu antes e no seu após.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A viajar desfiámos os nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A viajar vigiámos o nós.&lt;/div&gt;Juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1923522238178088258?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1923522238178088258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/nous-sommes-ensemble.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1923522238178088258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1923522238178088258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/04/nous-sommes-ensemble.html' title='Nous sommes ensemble'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S7pk1cDqXUI/AAAAAAAAADE/mb6fPGLYWjM/s72-c/nous.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4837044858973205923</id><published>2010-03-30T22:18:00.000+01:00</published><updated>2010-03-30T22:18:05.265+01:00</updated><title type='text'>Faro</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/y5LvIKERupQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/y5LvIKERupQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4837044858973205923?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4837044858973205923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/faro_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4837044858973205923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4837044858973205923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/faro_30.html' title='Faro'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7955660146864247687</id><published>2010-03-21T21:14:00.002Z</published><updated>2010-03-21T21:39:07.703Z</updated><title type='text'>Shutter Island</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Talvez possa o caminho ser um imenso cenário de conspiração no qual cada um encontra  o secreto desejo de ser herói malogrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez possa a viagem ser uma navegação entre traumas e outras tempestades avassaladoras que parecem encerrar uma qualquer ilha no mais íngreme penhasco de si mesmo, longe de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez possa a loucura ser o último reduto de lucidez para onde resvalar aquando da sucumbência à catacumba da culpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez possa a crença numa certa cumplicidade ser o único farol de liberdade para onde correr, alheio às promessas de um futuro indigesto e mutilado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez esquecer seja a tentação maior de todas, maior do que a traição de si próprio, mais profunda do que a impávida e autónoma absolvição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há crime mais hostil e horrendo, não há ocorrência mais difícil de solucionar, não há causa mais impossível de defender do que a pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Vale mais viver como um monstro ou morrer como um homem bom?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Filme de Martin Scorsese. Recomendo absolutamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7955660146864247687?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7955660146864247687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/shutter-island.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7955660146864247687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7955660146864247687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/shutter-island.html' title='Shutter Island'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2513801697146556056</id><published>2010-03-08T21:14:00.002Z</published><updated>2010-03-08T21:32:40.736Z</updated><title type='text'>Publicamente Causada</title><content type='html'>Será pública a votada causa do abandono da causa pública&lt;br /&gt;Desde a sintomática explosão da república privada&lt;br /&gt;O outro é mais uma temática sem abono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será então essa causa não mais do que uma pausa&lt;br /&gt;Na absurda ruína lúdica da arruinada vida pública&lt;br /&gt;Onde grassa a rosnada cidadania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será tão desesperadamente pública a súplica de o publicar&lt;br /&gt;Ao inerte público sem sorvo para multiplicar&lt;br /&gt;Crónico açude de letargia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será o pudor causado a causa mais pública do prelúdio&lt;br /&gt;Eloquente conselheiro na severa fraga fácil&lt;br /&gt;Da cega devoção à negligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(Poema Premiado com o 2º. lugar no Concurso de Poesia do Núcleo de Estudantes de Bioquímica da Associação Académica de Coimbra no âmbito da XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, subordinada ao tema Causa Pública)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2513801697146556056?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2513801697146556056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/publicamente-causada.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2513801697146556056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2513801697146556056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/publicamente-causada.html' title='Publicamente Causada'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4297001141172099507</id><published>2010-03-05T00:24:00.002Z</published><updated>2010-03-05T00:41:04.821Z</updated><title type='text'>É bom, não foi?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dia destes comprou um saco de bolachas de canela embaladas individualmente. Daquelas perfeitas para ir trazendo na carteira. Atentas para distrair um qualquer apetite fortuito. Lá quedaram ansiosas as caladas bolachinhas. Nessa mesma tarde havia de ir esvaziando um a um os pacotinhos. Voraz, ruidosa e desesperadamente. Um apetite gratuito de não deixar esperar pelo gerúndio esquecido da carteira. Não chegaram as tais bolachas ao dia seguinte. Tantas vezes a fome sedenta não faz da vida uma enorme bolacha de canela. Enclausurada num abafado pacotinho individual pronto a rasgar. Sucumbindo aos aterradores apetites de impaciência desesperada. Impetuosa, irreflectida, inadvertidamente. Não fosse o próprio universo um humano esfomeado, a rebelar-se em intempéries, tempestades, erupções. Não fosse o impulso temperamental o prólogo suspiro da implosão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4297001141172099507?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4297001141172099507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/e-bom-nao-foi.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4297001141172099507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4297001141172099507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/03/e-bom-nao-foi.html' title='É bom, não foi?'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8776157792626278022</id><published>2010-02-25T20:59:00.002Z</published><updated>2010-02-25T21:09:38.675Z</updated><title type='text'>Hoje eu concorri a um concurso</title><content type='html'>Hoje eu concorri a um concurso.&lt;br /&gt;Luta concorrida contra o tempo corrido entre morrer ou arriscar.&lt;br /&gt;Escrita corrida contra a corrente rústica da preguiça.&lt;br /&gt;Ruína da dúvida entre correr ou ficar.&lt;br /&gt;A corrosão arruinada da ruptura é ver um recurso no rumo do percurso.&lt;br /&gt;Hoje viver é ser concorrente da sua própria corrida.&lt;br /&gt;E correndo nas ruas achar o seu curso.&lt;br /&gt;E correndo de rasgo vencer o concurso.&lt;br /&gt;Hoje eu roí a corda do tempo corroído.&lt;br /&gt;Luta concorrida contra o casto rosnar avulso.&lt;br /&gt;Da meta a corrente e eu achei o curso.&lt;br /&gt;Hoje sou só eu e o concurso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8776157792626278022?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8776157792626278022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/hoje-eu-concorri-um-concurso.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8776157792626278022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8776157792626278022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/hoje-eu-concorri-um-concurso.html' title='Hoje eu concorri a um concurso'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4128830195710718904</id><published>2010-02-21T23:56:00.003Z</published><updated>2010-02-22T00:11:01.180Z</updated><title type='text'>Entrudos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entre tudo o que se veste e se despe, sobra a essência do disfarce.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na busca do amor serpentinam as linhas sinuosas de tantas histórias de se lhe tirar o chapéu...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dantes eram as noites regradas pelo cronómetro, regadas pela raça sedenta, desfilando pelos corredores da aventura dos mais tremendos e intensos bailes de sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje são tão longas e intermináveis as noites de espera, brindadas pelo cáustico negro dos medos, passando o cortejo sem som e conteúdo por entre as vastas e sujas pistas vazias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não se joga a feijões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da esperança alimentada permanece o voto pelo corso transparente e livre, despojado, tão menos alegórico, no qual a realidade se agiganta ante um universo pessoal recôndito que se recolhe para o acolher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do fundo das perguntas e respostas, mesmo entre os silêncios mais castradores e absurdos, permanecem vivos os fogos doutros carnavais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre tudo o que se veste e se despe, possa a essência sobrevir o disfarce.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4128830195710718904?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4128830195710718904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/entrudos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4128830195710718904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4128830195710718904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/entrudos.html' title='Entrudos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-1697951981080175540</id><published>2010-02-10T23:02:00.002Z</published><updated>2010-02-10T23:37:19.034Z</updated><title type='text'>One Year Over</title><content type='html'>Sob a égide de um cataclismo visceral, recebeu casualmente o signo de Aquário.&lt;br /&gt;Representa talvez somente uma tardia saída do armário.&lt;br /&gt;Sendo de tamanha causa ilustre missionário.&lt;br /&gt;De todos os pressupostos mais ou menos triviais é fiel depositário.&lt;br /&gt;Inspira e suspira como um fim o grito e o eco mais arbitrário.&lt;br /&gt;A rústica paleta dos sonhos é o seu abecedário.&lt;br /&gt;Não havendo para o seu temperamento qualquer prontuário.&lt;br /&gt;No seu código genético não sucumbe jamais a deixar de ser refractário.&lt;br /&gt;A morada para onde parte não tem destinatário.&lt;br /&gt;Gera semana a semana pronto e intangível honorário.&lt;br /&gt;E, na realidade, será efectivamente para alguém um relicário.&lt;br /&gt;Da Mãe babada,&lt;br /&gt;Feliz Aniversário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-1697951981080175540?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/1697951981080175540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/one-year-over.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1697951981080175540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/1697951981080175540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/one-year-over.html' title='One Year Over'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-5177026472203337939</id><published>2010-02-08T00:10:00.002Z</published><updated>2010-02-08T00:14:23.508Z</updated><title type='text'>No Teu Poema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrevo-te agora para dizer que ainda tenho a loucura de procurar o cavalo para percorrer em prodígio os prados com muitas flores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E neles guardo as tardes em que me levavas pela mão para comprar a Rua Sésamo. Lá habitam também as primeiras idas à biblioteca, onde me convencias de que brincar com o dicionário era uma actividade simpática, mesmo quando eu ainda não podia saber compreender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas rédeas abraço a cozinha onde me recebias como mais ninguém e a partir de cuja janela me vias tão única e amavelmente partir. Regresso sempre como dantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em cada punhado de mundo de que me apodero, são nossas todas as cores, nelas deposito o teu brilho e também a tua sombra, vivo ainda a vida que sobra e que no tempo das borbulhas não pude conter. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suave e ternamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por tudo isso deixo aqui o primeiro poema que me ajudaste a decorar e que pretendo, assim como a tudo o resto, não mais esquecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;em&gt;Quero um cavalo de várias cores, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero-o depressa, que vou partir.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esperam-me prados com tantas flores, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que só cavalos de várias cores &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Podem servir. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero uma sela feita de restos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dalguma nuvem que ande no céu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero-a evasiva - nimbos e cerros - &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobre os valados, sobre os aterros,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que o mundo é meu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero que as rédeas façam prodígios:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voa, cavalo, galopa mais,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Trepa às camadas do céu sem fundo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para onde tendem as catedrais. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixem que eu parta, agora, já, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Antes que murchem todas as flores. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho a loucura, sei o caminho,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas como posso partir sozinho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem um cavalo de várias cores?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Reinaldo Ferreira&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-5177026472203337939?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/5177026472203337939/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/no-teu-poema_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5177026472203337939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/5177026472203337939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/02/no-teu-poema_08.html' title='No Teu Poema'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8218838075814609181</id><published>2010-01-31T23:12:00.002Z</published><updated>2010-01-31T23:25:10.736Z</updated><title type='text'>(H)eras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os tempos vão sucedendo, quase imperceptivelmente, como os dias de Inverno que trepam lentamente, crescem e passados meses retornam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda em Janeiro será escusado falar de outra coisa senão dos tempos que levemente atraiçoam os números e as ideias, amplificando de forma ancestral pensamentos novos e arrumando com jovialidade sentimentos velhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conta certa dos tempos não são os impenetráveis e estreitos ponteiros do relógio nem a soma de Janeiros que carregamos ao largo sombrio dos olhos cansados... mas antes o produto da idade que lhes equacionamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A idade é uma empresa familiar que padecerá então de crónica insolvência... Ao mesmo tempo que acrescenta solução para muitos problemas, cria entretanto muitos problemas sem solução.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A raiva da fatalidade e o sonho da imortalidade são duas formas de problematizar... A noção da incapacidade de conter o tempo e a conquista de capacidades para dar destino a esse tempo são duas formas de solucionar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a quimera na cabeça e a rasura nas mãos, cogita a hera calada dos tempos sãos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8218838075814609181?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8218838075814609181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/heras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8218838075814609181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8218838075814609181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/heras.html' title='(H)eras'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2648689743445390420</id><published>2010-01-20T18:48:00.003Z</published><updated>2010-01-20T19:08:03.480Z</updated><title type='text'>Right to be Wrong</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Digamos que cada um se compõe de um percurso bipartido e inflectido sobre si próprio, onde coexistem e combatem as duas almas em guerra de que falava o Jorge Palma. Nenhuma delas vai ganhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entenda-se então que a especificidade de cada um reside na diferença, forma e dimensão do hiato entre o que é sabido e o que resta conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Árdua tarefa de construir um império com nexo e esforço de causalidade quando toda a ordem pragmática e muitas vezes dogmática do saber de hoje pode estar tão absolutamente despedaçada amanhã. E mais ainda quando a sapiência de que nos valemos hoje possa estar tão desfeita para os olhos de quem antes de nós tenha já conhecido esse amanhã...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabo por concluir de forma assaz embaraçada e surpresa que aquilo que em surdina nos une não será, inesperadamente, o mesmo tipo de conhecimento mas, por outra, fatalmente, o mesmo tipo de ignorância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais curioso é que mesmo sendo a ignorância a companheira mais fiel de que cada um dispõe para percorrer as montanhas da vida, não será demais verificar que, mesmo assim, cada qual tem uma forma mais ou menos adúltera de a deglutir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo para dizer que, sendo ser pensante a todo alguém cabe ser também ignorante, supondo para isso a probabilidade de errar como a verdade mais fatídica... e a hipótese de acertar como a mentira mais onírica...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2648689743445390420?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2648689743445390420/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/right-to-be-wrong.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2648689743445390420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2648689743445390420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/right-to-be-wrong.html' title='Right to be Wrong'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2390890644938489963</id><published>2010-01-13T00:12:00.002Z</published><updated>2010-01-13T00:18:36.714Z</updated><title type='text'>M'aturar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E começa assim mais um ano entre os votos apressados do futuro e outras determinações de anos velhos que ficam sempre interminadas, encontrando assim a sua conclusão nesse irremediável ou remediado sem tempo a que a impossibilidade as sujeita. Entre o frio e a chuva, como alguém dizia, Janeiro demora. E parece que, até ser possível sobreviver a mais um, a vida não arranca. Tenho observado que o passar do tempo traz novos chuvosos e gélidos janeiros interiores que encontram o seu primeiro sintoma em fortuitas lágrimas que teimam em brotar em comemorações e ocasiões especiais. Parece o glorioso carregar ameno de rigorosos invernos passados que, já à lareira, ainda humedecem um último chorar. Parece que uma certa robustez antiga obriga a uma pontual consagração e tributo, começa a revestir todas as efemérides de mais qualquer coisa... para além da ligeireza do presente e a nebulosa do futuro. Parece que o início do ano já não pode mais vir só e uma certa armadilha mecânica não poderá jamais adulterar para zero o contador. Parece que toda a renovação sazonal demora em si num qualquer e pontual Janeiro que tarda em passar... (causa provável de precipitação impossível de s'aturar) ...residindo nele esta nova e genuína capacidade de m'aturar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2390890644938489963?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2390890644938489963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/maturar_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2390890644938489963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2390890644938489963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2010/01/maturar_13.html' title='M&apos;aturar'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2601226672332842633</id><published>2009-12-31T18:26:00.001Z</published><updated>2009-12-31T18:28:45.191Z</updated><title type='text'>Sementes dos Tempos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faz agora um ano que cortou em abundância os já mudos cabelos longos. Haveria de ser indiferente ou não mais um corte, estando já tão surda a sua cabeça despenteada. Acaba por, pontualmente, proliferar na mansarda dos sonhos uma ou outra ponta espigada. Contra este ou aquele nó arrastado, que nem uma escovada teimosa pode desatar, não há outro remédio ou melhor esforço do que optar sem dó por cortar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz agora um ano que nasceram em abundância novos melodiosos fios brilhantes. Haveria de ser indiferente ou não ouvir o seu tépido entrelaçar, estando já tão viva a sua cabeça alinhada. Acaba por, pontualmente, proliferar na varanda dos sonhos uma ou outra melena dourada. A favor deste ou daquele caracol engraçado, que nem um pente rigoroso pode travar, não há outro remédio ou melhor esforço do que atar ao Sol e admirar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz agora um ano que olhou um ralo repleto de fios desertores. Haveria de ser indiferente ou não desesperar, sendo que uma vida é o terraço de uma cabeça de raíz preenchida. Contra este ou aquele vento enfadado, que insiste continuamente em soprar, há sempre o remédio e contínuo esforço de novas sementes a despertar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz agora um ano que sonhou em abundância um ano melhor. Agora haverá de plantar mais um ano.... para o poder pentear. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2601226672332842633?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2601226672332842633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/sementes-dos-tempos_2499.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2601226672332842633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2601226672332842633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/sementes-dos-tempos_2499.html' title='Sementes dos Tempos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-163729513298093919</id><published>2009-12-23T19:35:00.004Z</published><updated>2009-12-23T23:26:00.213Z</updated><title type='text'>So this is Christmas...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;... e tudo começa finalmente a dar frutos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelas ruas surgem já gnomos coloridos, doces obreiros da paz, a distribuir o alento tantas vezes requerido, em cartas e mais cartas de tristeza, quando já tudo parecia perdido. Ao fim do dia, todos seguem para o lar como que puxados pelas renas de uma alegria quase religiosa, que reúne em cada casa um mais ou menos completo presépio. Renasceram das caixas de cartão, embrulhadas em folhas de jornal antigo, as bolas sortidas de histórias acumuladas a pendurar cuidadosamente na árvore de Natal de cada vida. Vale a pena reciclar as fitas de tolerância e pendurar também luzinhas de humildade, pulverizando ainda com perfume de paciência. Não estaria completa a tarefa se no topo não repousasse a estrela do amor, enquadrada pela esperança dos ramos verdinhos. Na base habitam os laços de carinho, selando diversos pacotes de sonhos a concretizar. Quando a noite já escura e fria encontra as ruas vazias, emerge da panela fumegante o grande bacalhau lavado que já chorou todo o seu sal e vem festejar uma nova ceia. Neste dia há lugar para todos, até para as travessas esquecidas durante o ano no aparador. Sobre a mesa partilhada entre todos, viva o bolo, rei da bondade, e as broínhas da amizade, não é tempo de amarguras. Do calor da lareira iluminada, chegam as lembranças de todos os que estão longe, aquecendo com o seu afago este serão. Que pelos dias em diante seja o Natal uma constante, urgentes que são fatias de força e rabanadas de optimismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A very merry Christmas and a Happy New Year, let´s hope it's a good one, without any fear.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-163729513298093919?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/163729513298093919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/so-this-is-christmas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/163729513298093919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/163729513298093919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/so-this-is-christmas.html' title='So this is Christmas...'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-130465023725165677</id><published>2009-12-19T18:55:00.001Z</published><updated>2009-12-19T18:57:07.070Z</updated><title type='text'>O Autocarro do Acaso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A viagem é a unidade básica de jornadas deste imenso campeonato. Uma folha quadriculada de partidas e chegadas entre percursos regionais ou de longo curso, dentro e fora de si. Há quem leve mais ou menos bagagem, há quem se aventure só com a roupa do corpo e mesmo quem parta sem nunca sair do lugar. Pelo meio pode sempre haver um atalho, uma escala ou um engarrafamento. Pode mesmo haver um enjoo ou um acidente de percurso, facilmente suavizado por uns óculos de sol e uma boa banda sonora. Entre encontros e despedidas, há quem parta para não voltar e quem regresse sempre, há ainda quem fique connosco mesmo depois do veículo se afastar. Diria de forma veemente que a maior das viagens é conhecer alguém. Abre-se então uma linha da rodoviária do tempo para embarcar num trajecto cujo destino se desconhece. E segue assim o viajante à chamada da voz amarelada do altifalante para o Autocarro do Acaso a que a Sorte o guiou. Fure-se ou não um pneu, haja sempre faróis de longo alcance para iluminar o caminho. A &lt;em&gt;good will&lt;/em&gt; do verdadeiro viajante é que a partida é certa no seu valor, acrescidos certamente quilómetros vividos à entrada na gare de desembarque. E lá subsistem os dois vectores da grelha para os aventureiros da estrada: SEJA BEM-VINDO e BOA VIAJEM.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-130465023725165677?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/130465023725165677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/o-autocarro-do-acaso_19.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/130465023725165677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/130465023725165677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/o-autocarro-do-acaso_19.html' title='O Autocarro do Acaso'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7087167269893757846</id><published>2009-12-05T11:56:00.004Z</published><updated>2009-12-05T12:20:46.811Z</updated><title type='text'>Um bom aluno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É a presença assídua, discreta mas sempre notada, na sala de aula. Tem apontamentos desalinhados num pequeno e velho caderno onde escreve sem esforço os tópicos de maior relevo com letra hostil, só por ele treinada e compreendida. Participa com eloquência e rigor sempre que pontualmente é exigível por si, colaborando também com silêncio incauto nos momentos em que qualquer questão ou comentário é absolutamente desnecessário. Precisa apenas da sua competente caneta vulgar e de breve reflexão para dar a resposta assertiva e inusitada que espera dele o bom Professor. Tem especial carinho pelos docentes rectos, interventivos e desfiadores que todos os outros estudantes especialmente detestam. Como um verdadeiro &lt;em&gt;enfant terrible&lt;/em&gt;, não colhe a unanimidade dos colegas nem faz questão. Quando abordado convenientemente é sempre capaz da generosidade e simpatia que só os bons lhe reconhecem. Elabora os mais ilustres rascunhos e exercícios em folhas soltas de papel reutilizado que organiza desorganizadamente por ordem do seu temperamento anárquico e irrepreensível. Não passa horas seguidas a estudar porque conhece os prejuízos de uma privação abrupta da amplitude das ocupações, fazendo apenas de forma leve a parte final do trabalho, que completa o serviço de todos os dias em que a concentração e a auto-disciplina já fizeram quase tudo. E segue então com as sapatilhas gastas para a sala onde a sua existência é também, e sempre, e inevitavelmente, a melhor parte. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7087167269893757846?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7087167269893757846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/um-bom-aluno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7087167269893757846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7087167269893757846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/um-bom-aluno.html' title='Um bom aluno'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6930846602706152206</id><published>2009-12-03T22:37:00.005Z</published><updated>2009-12-03T23:49:40.925Z</updated><title type='text'>Mais cinco tostões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um diálogo é, à semelhança de muitos outros insondáveis eventos da vida, um micro-mundo onde se deve depositar tudo o que se tem e findo o qual, invariavelmente, se perde e se ganha alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse micro-mundo caminhamos de mãos dadas ou em facções apartadas, de olhos brilhantes ou de alma apagada mas nunca, nunca, nada fica como antes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nesse micro-mundo há também micro-ondas de descoberta e sensações que descogelam ou aquecem num instante, círculos em que nos damos prontos a servir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E pode assistir-se a uma caminhada inteira a partir de um sofá almofadado, percorrer o universo num degrau gelado ou nos bancos de madeira entre livros, no corredor fortuitamente entre as horas ou de passagem pelas palavras surdas que já não resta dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O diálogo conhece os mais avançados progressos da ciência... teletransportação de alta voltagem afectiva, ultrapassagem de geração por narração eloquente, imagiologia supra-espacial, metafísica intra-relacional, força motriz transfusional, implante onírico definitivo sem risco de incompatibilidade a nível global, de que todos são potenciais dadores...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E dos micro-momentos sobram macro-rescaldos de bonança, sobram mega-sorrisos e hiper-alívios, metro-ternuras que jamais terminam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O resultado é um ilustre valor acrescentado sem taxa moderadora a acumular em suaves prestações de empática interlocução... grão a grão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6930846602706152206?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6930846602706152206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/mais-cinco-tostoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6930846602706152206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6930846602706152206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/12/mais-cinco-tostoes.html' title='Mais cinco tostões'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8337331941631036111</id><published>2009-11-26T23:35:00.002Z</published><updated>2009-11-26T23:42:56.485Z</updated><title type='text'>Reconhecido agora com o Prémio de Melhor Anúncio Governamental pelo "European AIDS Video Clip Contest"</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-Uy0dTN7Prk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-Uy0dTN7Prk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8337331941631036111?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8337331941631036111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/reconhecido-agora-com-o-premio-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8337331941631036111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8337331941631036111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/reconhecido-agora-com-o-premio-de.html' title='Reconhecido agora com o Prémio de Melhor Anúncio Governamental pelo &quot;European AIDS Video Clip Contest&quot;'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-7327963603525326307</id><published>2009-11-22T16:14:00.003Z</published><updated>2009-11-22T16:44:34.547Z</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A memória é essa trouxa enxovalhada mais ou menos bem-vinda que faz de nós saltimbancos entre tempos, alpinistas de íngremes montanhas de sonhos, marinheiros de vagas de passados com mais ou menos sal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A memória é essa estola felpuda que nos afaga em dias ventosos e também o peso que carregamos a subir escadarias de obstáculos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre lá em todos os tempos, mesmo naqueles em que o tempo escasseia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se por vezes lutamos pela manutenção dos objectos e outros elementos físicos, como um escudo de consagração vigente a impedir que a lembrança se desvaneça, o contrário também acontece. A destruição das provas e testemunhos de má memória na tentativa de suavizar e adormecer as recordações que teimosamente lhe sobrevivem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tanto nas guerras do mundo como nas batalhas pessoais há ruínas desavindas e líderes polémicos, há leis de protecção e heróis por homenagear.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há património para alienar... há património por classificar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta apenas que possa prevalecer a narrativa mais verosímil e aberta, entendendo que todos os vestígios e personagens evocam sensibilidades... e são válidos na história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-7327963603525326307?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/7327963603525326307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7327963603525326307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/7327963603525326307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/memoria.html' title='Memória'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4399024986944080149</id><published>2009-11-03T22:14:00.002Z</published><updated>2009-11-03T22:44:00.506Z</updated><title type='text'>Danos Urbanos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Navega-se em ruas como mares secos onde ninguém cumprimenta, onde ninguém tem nome, onde ninguém importa. Os corredores de betão em homenagem a qualquer coisa que nos esmaga de pequenez. Passa-se pelo tempo agarrado ao ponteiro sem ver conversar as horas. Há velhos e cães e pedintes com estatuto decorativo incómodo que alguém votou à não importância. Há lixos e mágoas e gente perdida com estatuto de inutilidade social que alguém votou à não relevância. E trituram-se os dias com a pressa mórbida de quem atordoa uma verdade inconfidente. Os restos das noites leva-os a chuva, passa-se a ferro esse rosto enrugado ao nascer do dia. O céu é tão pesado que qualquer dor lhe parece leve. E leves seguem mil passos anónimos sem deixar marca. E no barulho intenso de todos os trânsitos, o silêncio das madrugadas. E no súbito interlúdio de todas as multidões coloridas, a solidão das manhãs. Nesse orvalho sombrio, tu. Sempre tu. Nunca esquecido. Oscilando entre o espaço ocupado, entre o tempo preenchido, entre o bafo da urbe, abafado. Sempre espaço para ti, para o teu tempo perdido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4399024986944080149?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4399024986944080149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/danos-urbanos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4399024986944080149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4399024986944080149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/danos-urbanos.html' title='Danos Urbanos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4091933322500862146</id><published>2009-11-02T21:26:00.002Z</published><updated>2009-11-02T21:45:19.990Z</updated><title type='text'>Pretending</title><content type='html'>Nesses que fingem já não se crê mais.&lt;br /&gt;Fingindo, assim, ser alheio a fingimentos e outras coisas que tais.&lt;br /&gt;Das máscaras trémulas que insistem assumir,&lt;br /&gt;Dos momentos de susto em que as deixam cair,&lt;br /&gt;Sobra apenas o cenário, iluminado ou obscuro, em que decorreu a cena.&lt;br /&gt;Antes guardassem a arte para o palco, para o ecrã da TV ou para a tela de cinema.&lt;br /&gt;Perde-se a crença entre as vis intenções.&lt;br /&gt;Vale mais ceder à pressa das primeiras impressões,&lt;br /&gt;Do que embarcar na mentira de um riso forçado,&lt;br /&gt;Do que manter o elo de um gesto embaraçado,&lt;br /&gt;De um fundo baço e sem conteúdo,&lt;br /&gt;Apelo do acaso fortuito de um ego miúdo,&lt;br /&gt;Mergulhado no óleo obtuso de querer parecer.&lt;br /&gt;Esta vida encardida não é o que poderia ser,&lt;br /&gt;Mas tão somente uma ilusão vadia,&lt;br /&gt;Impressa em folhas de resolução fugidia,&lt;br /&gt;Rumo ao amanhã de entrada pequenina,&lt;br /&gt;Onde a esfera que roda fica aquém do que se imagina.&lt;br /&gt;Nessa dança tonta das múltiplas identidades,&lt;br /&gt;Não se joga a favor de todas as possibilidades,&lt;br /&gt;Apenas daquele imperioso e preciso momento,&lt;br /&gt;Em que a verdade da sombra feliz ultrapassa a barreira do fingimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4091933322500862146?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4091933322500862146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/pretending.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4091933322500862146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4091933322500862146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/11/pretending.html' title='Pretending'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2669311727243853090</id><published>2009-10-18T15:47:00.002+01:00</published><updated>2009-10-18T16:07:49.853+01:00</updated><title type='text'>(A)largar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Largos são os passos a que nos aproximamos com a maior brevidade de tudo o que desconhecemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largos são os dias que levam a despedirmo-nos de todos os que já não têm mais passos, largos ou estreitos, para dar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largo é o caminho em que nos cruzamos redondamente com quem não queremos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largo é o trilho em que buscamos ansiosamente com quem nos falta cruzar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largos são os dias tristes em que a mágoa ocupa toda a largura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largos são os momentos felizes onde não há estreitos para amarguras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largos são os corações generosos onde até consigo caber estendida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largo é a praceta harmoniosa onde perco e encontro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao largo é onde quero que deambulem todos os males que assustam e incomodam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao largo flutuam as verdades desse universo tão estreito que é só meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largas seriam as mentes capazes de, não sendo estreitas, as alcançar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No estreito de todos os estreitos mal iluminados onde, larga, deambulo, jazem estritas as memórias capazes de me deter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largas são as costas que carregam este mundo tão estreito de histórias e futuro que, em esforço, consigo conter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Largamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2669311727243853090?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2669311727243853090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/alargar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2669311727243853090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2669311727243853090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/alargar.html' title='(A)largar'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4364864106200561530</id><published>2009-10-08T20:23:00.002+01:00</published><updated>2009-10-08T20:52:49.544+01:00</updated><title type='text'>Sensibilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não se diz, não se aprende nem se ensina, não se aconselha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vem nos livros nem na internet, não dá na televisão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas existe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredita-se sem ver e... espera-se pela prova.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"As pessoas cada vez mais amam o forte. É fácil amar o vencedor. O rico, o poderoso, o governante. Agora, a medida da humanidade, a métrica da humanidade, da verdadeira humanidade está em amar o frágil. Você é capaz de amar aquele que já foi forte e hoje é fraco? Aquela rosa que já foi bonita e perfumada e que hoje é murcha? Aquele professor que já foi sábio e inteligente que era adorado por todos os alunos e que hoje, coitado, é repetitivo? Não tem meio de perceber que há um ciclo da vida em que as pessoas merecem ser respeitadas pelo que são, não por aquilo que vão aparentando ser. É amar este essencial. Eu sou oriental, sou chinês e portanto percebo a circularidade do tempo. O tempo, para nós, não é aberto. Percebe isso?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Roberto Carneiro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4364864106200561530?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4364864106200561530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/sensibilidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4364864106200561530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4364864106200561530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/sensibilidade.html' title='Sensibilidade'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-8961079662467048825</id><published>2009-10-08T19:54:00.002+01:00</published><updated>2009-10-08T20:23:00.207+01:00</updated><title type='text'>Educação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alguém mais acreditado do que eu para o dizer. Alguém mais credível do que eu para que eu própria não duvide do que digo. E a esperança de que o resultado das palavras seja mais amplo do que simplesmente serem ditas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recomendo a leitura do texto na íntegra. Repetidamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro de J. K. Rowling foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ninguém nasce bom em nada."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Manifesto de Obama para os alunos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-8961079662467048825?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/8961079662467048825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/educacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8961079662467048825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/8961079662467048825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/10/educacao.html' title='Educação'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6957177142362634367</id><published>2009-09-26T23:28:00.002+01:00</published><updated>2009-09-26T23:30:56.085+01:00</updated><title type='text'>Não, obrigada.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nisto de viver e aprender parece haver também uma cultura, esta não emergente e nem sequer contemporânea, mas de uma persistência quase perversa e transversal aos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É preciso ser duro e ser esperto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adjectivos pouco eloquentes de uma filosofia, também ela, pouco inteligente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A premissa da acção, da imposição, da sobreposição, a astúcia rasa de um qualquer "salve-se quem puder" que devia ser tão inútil em sociedade, para os cretinos, como para os ratos em alto-mar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A insensibilidade ao trauma sob a forma de um qualquer penso rápido com espinhos e a ditadura do sofrimento - próprio e, sobretudo, alheio - como um éter de anestesia, um meio para um qualquer fim já de si vazio de todos os conteúdos e anti todos os fundamentos de civilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os atalhos criados como uma rede secundária aos caminhos da educação, da boa formação, da elegância e da cordialidade serão vias rápidas para todos os becos em que otários e arrogantes se encontram sem saída.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o labirinto da civilização e da sociabilidade se funde no eixo em que, sem ofensa para os bichinhos, os humanos se transformam em animais...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6957177142362634367?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6957177142362634367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/nao-obrigada_26.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6957177142362634367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6957177142362634367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/nao-obrigada_26.html' title='Não, obrigada.'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-4096997090699314847</id><published>2009-09-19T16:05:00.005+01:00</published><updated>2009-09-19T16:32:42.281+01:00</updated><title type='text'>Intelectualismos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pesam, inevitavelmente, cada vez mais, os escalões hierárquicos de intelectos para os quais as referências culturais são o barómetro mais tentador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Conheces esta banda? Este livro? Este realizador?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os chamados "obrigatórios" são usados como factor crítico de integração neste ou noutro patamar dos meandros sociais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diria eu, a cultura não deve servir de critério de seriação e nem, tão pouco, imiscuir os grupos da corrente &lt;em&gt;open mind&lt;/em&gt; de serem tão ou mais ecléticos e verdadeiramente modestos do que toda a gente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entendo então que o paradigma cultural pode ser, neste ponto, e infelizmente, uma questão tão mais embrenhada de motivações grupais e influências recíprocas de referências comuns do que propriamente o interesse genuíno fruto do percurso individual de cada um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Realizo, desta forma, com alguma decepção, que a maioria dos grupos de intelectuais, pseudo e afins, evocam cinema, literatura e discografia característica da mesma forma que um adolescente aficionado debita mecância e obedientemente a marca de &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt;, ténis e penteado da sua integração e identificação geracional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como um bando de criativos de óculos de massa pode esperar um bolo diferente com os mesmos ingredientes... - que é, afinal, uma coisa tão pouco original.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tão perto e tão longe dos grupos de senhoras maduras fãs de um ou outro cantor popularucho, defensoras do cubo mágico e acérrimas embaixadoras do &lt;em&gt;tupperware&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tão perto e tão longe do grupo de senhores maduros doutorados em sueca, especialistas do &lt;em&gt;aftershave&lt;/em&gt; que arde e da previsão futebolística de bancada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelos becos da teia deambulam de rótulo "sem rótulo" os &lt;em&gt;outsiders&lt;/em&gt;, eternos ignorantes sem fundamento nem contexto, impossíveis de engavetar, imprudentes como um candidato independente às eleições que tem apenas duas opções - ser o esquecido dos protegidos ou o paraíso dos indecisos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-4096997090699314847?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/4096997090699314847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/intelectualismos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4096997090699314847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/4096997090699314847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/intelectualismos.html' title='Intelectualismos'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6835573738143793194</id><published>2009-09-15T14:22:00.002+01:00</published><updated>2009-09-15T14:27:49.936+01:00</updated><title type='text'>Sempre com lugar guardado na pista das minhas fantasias de adolescente... que vão durar a vida inteira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/Sq-WRdH_VlI/AAAAAAAAAB4/_KLKO9-MGAY/s1600-h/pat111.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381685306351113810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/Sq-WRdH_VlI/AAAAAAAAAB4/_KLKO9-MGAY/s400/pat111.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6835573738143793194?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6835573738143793194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/sempre-com-lugar-guardado-na-pista-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6835573738143793194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6835573738143793194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/sempre-com-lugar-guardado-na-pista-das.html' title='Sempre com lugar guardado na pista das minhas fantasias de adolescente... que vão durar a vida inteira'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/Sq-WRdH_VlI/AAAAAAAAAB4/_KLKO9-MGAY/s72-c/pat111.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-3219759402479404104</id><published>2009-09-14T00:40:00.002+01:00</published><updated>2009-09-14T00:55:41.786+01:00</updated><title type='text'>Admitida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fecho o envelope dos papéis impressos e cheirar a novo e com eles abro a porta para o regresso dos meus incríveis. O estojo das canetas, o cabedal da pasta, os livros e os cadernos, o lápis afiado, o olho desafiado a coisas por saber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me daquele senhor no café. Sentado na mesa à direita. O médico que já não era médico, o doutor que ainda estudava como caloiro, eterno conselheiro gratuito entre as horas de palavras copiadas em cópias sempre novas de conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até ao último dia entre os diagnósticos a todo o instante válidos em si mesmos, em mais ninguém necessariamente. Como o amor não depende das coisas de quem é amado, mas de quem ama, assim o saber não depende do texto ou do professorado, mas da vontade de aprender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os bancos de madeira, o ranger das tábuas por encerar, sentar-se perante o quadro imenso de universos por polir... Essa condição de aprendiz que está acima das tribos, das ciências, das modas, das gerações, das rupturas, dos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conhecer, e sobretudo, fazê-lo independentemente, é a maior empresa a que é possível admitir-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-3219759402479404104?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/3219759402479404104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/admitida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3219759402479404104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/3219759402479404104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/admitida.html' title='Admitida'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-814201059005180517</id><published>2009-09-03T22:54:00.006+01:00</published><updated>2009-09-03T23:20:30.426+01:00</updated><title type='text'>Fatalidades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Deixa lá, é o que tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que tem de ser resume-se então à forma mais ou menos mística de explicar a razão pela qual o universo não nos obedeceu. Há, assim, uma entidade supra-natural especialmente teimosa que surge de forma a manifestar o seu poder. Para justificar e suavizar a contrariedade, subtilmente expelimos um amargo de boca embrulhado com esse nome "o que tem de ser".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que tem de ser é, por isso, para todos os efeitos, o gajo que manda nisto tudo. O gajo que cumpre a sua vontade mesmo que tudo façamos para fazer a nossa vontade prevalecer. O gajo que se satisfaz a si próprio em nome de nos fazer aprender qualquer coisa, ainda que já nos julguemos sabedores, ainda que nos escusemos do que tem a ensinar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora entendo a amplitude da pré-determinação - mesmo que não se faça nada ou que não se deseje que algo ou alguém seja assim, ele pode sempre ser o que tem de ser. Agora entendo por que esperam todos os que nada fazem, os que se alienam constantemente de buscar seja o que for - esperam pacientemente pela desresponsabilização que lhes confere o Sr. O que tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas cada um também tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como se não bastassem as condições climatéricas, a genética, os caprichos alheios e outras determinantes mais, ainda temos de fazer face aos presságios, às coincidências, ao destino. Ao que tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entendo, em todo o caso, que por via do acaso, cada caso é um caso, e é possível que todos possamos ter ser tudo o que temos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recordando ainda que as determinações e inevitabilidades em geral envolvem também as maravilhosas e estimulantes surpresas com que nos brinda pontualmente o intrigante e afamado Senhor em questão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sendo que, para que não restem dúvidas, seja claro que o fado não nos reduz o livre arbítrio, apenas se impõe como um gajo teimoso, lembrando que este não é o único factor em jogo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havendo portanto um rasgo no qual ensinar e aprender, mandar e obedecer, possam ser uma dança de forças em que cada um faça o que tem de fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rumo a esse sujeito com quem temos encontro marcado, perto e a preceito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No lugar desenhado pelas nossas cores e talvez pintado pelas nossas dores e no fim assinado pelo que tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-814201059005180517?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/814201059005180517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/fatalidades.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/814201059005180517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/814201059005180517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/09/fatalidades.html' title='Fatalidades'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-6845978989650803847</id><published>2009-08-26T00:04:00.005+01:00</published><updated>2009-08-26T00:29:57.792+01:00</updated><title type='text'>In(Dependências)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E regresso à minha secretária arrumada com a vida ainda por arrumar. Antes assim.&lt;br /&gt;Da máquina melindrosa do dia-a-dia mecânico e cinzento não sobrou nada. Há até algum desconforto em ter esquecido coisas básicas que costumam ser sempre lembradas na dinâmica de todas as anteriores manhãs.&lt;br /&gt;Compreendo então que, apesar de continuamente nos empurrarem para esse motor rotineiro, em que o corpo faz uso de substâncias, coisas, hábitos, relações, vícios, dogmas e esquemas complexos de afectos que aparentemente nos suportam, o espírito aproveita deliberamente qualquer rasgo de mudança para se desfazer de tudo o que o desfaz genuinamente.&lt;br /&gt;Esquecer a trama de deveres e obrigações, rebelando-se por uma nova causa.&lt;br /&gt;Faço de conta que vou trabalhar apenas hoje, que amanhã logo se vê... - assim se educa a mente para um novo ciclo de desiducação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como os hábitos impostos são os mais fáceis de perder...! Como se os vícios voluntários fossem a rebeldia maior de se enclausurar a si próprio...&lt;br /&gt;Sentada na cadeira, as costas começam a recordar lentamente o que as amolenta...&lt;br /&gt;A rotina orquestrada parece agora um jogo longínquo, sem o qual tudo funciona igualmente bem. Estranhamente bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a mensagem conta simetricamente para a ruptura amigável ou litigiosa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Horrível entender como a dinâmica dos hábitos é volátil, sobrevivendo a todo o tipo de ausências com a naturalidade de quem prossegue igual, para o bem e para o mal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como continuamos a andar ainda que nos falte um bocado... faz pensar que talvez esses bocados de nós de que julgamos ser donos não sejam nunca mais do que apêndices dispensáveis de que podemos sempre prescindir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por tudo isto me convenço de que as melhores ferramentas da vida são sempre aquelas que nos destituem dos reinos de que não somos senhores, despojando-nos de falsas próteses, lembrando continuamente a constituição original do tronco solitário e singular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes isso do que o sedimentar de impérios circundantes, tronos alheios sem os quais afinal, em caso de derrocada, passamos tão bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E inicio a labuta de mais um dia, certa de que não perderei a frescura necessária para resvalar para um outro cenário, assim que o tempo e a memória me facultem os instrumentos necessários para deixar ir os hábitos de hoje e abrir a porta aos sonhos de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-6845978989650803847?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/6845978989650803847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/independencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6845978989650803847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/6845978989650803847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/independencias.html' title='In(Dependências)'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-285162188263156396</id><published>2009-08-25T23:42:00.004+01:00</published><updated>2009-08-26T00:00:40.523+01:00</updated><title type='text'>São Coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Regresso ao cenário das férias da minha infância e agora já não há quem decida por mim aonde ir, embora eu me obrigue, ainda assim, a revisitar os sítios onde passava pela mão e que agora, pelo próprio pé, devo cumprimentar como manda a educação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não sinto o nó na garganta de estar longe e presa, noto agora o aperto de estar de férias e ir para tão perto, sendo livre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O restaurante dos melhores bifes é agora um bar para putos quezilentos. E até o cone de bolacha daquela maravilhosa gelataria tem um sabor diferente. Um aroma a canela. Os tempos passam, de facto. Tudo muda. Mas por que raio se coloca um aroma a canela num cone de bolacha que sempre abraçou as melhores bolas de gelado da cidade, isso não entendo. Não admito que coloquem canela ou outros sabores nas memórias da minha infância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As ruas transformam-se em passarelas movimentadas de modelos mais ou menos amadores, de predadores, de presas, de famílias felizes, de pedaços de famílias, enfim, de visitantes bronzeados em geral. Os cheiros dos perfumes que só temos tempo de saber usar quando estamos livres de tempo e que só sabemos cheirar quando esse tempo nos liberta. O aroma do livre arbítrio a vaguear.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por que não nos deitamos cedo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou certa de que mais vezes me obrigarei a dissertar sobre a resposta a esta pergunta. Ainda que coexistindo com a realidade descartável em que reinará brevemente a trilogia "beber uma, fumar uma, mandar uma", tenho a teimosia de achar por bem descodificar os meandros da equação de que resulta inevitavelmente o facto de ser sempre cedo demais para terminar o dia de hoje e tarde demais para começar fresquinha o dia de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mistério que envolve as pessoas com a madrugada silenciosa onde há sempre algo mais a partilhar, a viver, onde há sempre algo mais para acabar, entre um último chá quente para beber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho vindo a contar as horas a fim de entender o limite do tempo do dia que possa realmente sorver, entre as ausências de limites que envolvem as mudanças dos tempos, cujas horas nesta altura já não posso conter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se isto é uma adolescência tardia ou uma velhice precoce... mas assim este rumo aparentemente despropositado possa enfim ter a cadência perfeita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-285162188263156396?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/285162188263156396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/sao-coisas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/285162188263156396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/285162188263156396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/sao-coisas.html' title='São Coisas'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2187767473000802468</id><published>2009-08-15T18:47:00.001+01:00</published><updated>2009-08-15T18:49:37.405+01:00</updated><title type='text'>Feitio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não é defeito, é feitio, é maneira de ser. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É imperfeito, sim, nada está feito, está tudo por fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Procurar um feito entre material contrafeito à espera de poder novos feitos erguer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas no caminho sinuoso desse Senhor poderoso chamado Perfeito, todo o achado, aberto ou fechado, parece defeituoso... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o ar que corre fica rarefeito entre um e outro sopro que provoca o tal efeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre um e outro sopro, feitos um com o outro, tudo parece desfeito... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quebrar esse feitiço vou fazer um esquiço que desfaça o enguiço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para todos os efeitos, tamanha empreitada tem de exigir isso! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sair do banho-maria e fazer um percurso apetecível mais ou menos bem feito, com um desenho visível, um quadro minucioso que seja tão saboroso como um doce enfeitado em confeitaria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Feito do efeito mais ou menos perfeito que vence o desafio, num lugar de afeições onde todo o defeito é apenas feitio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2187767473000802468?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2187767473000802468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/feitio_15.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2187767473000802468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2187767473000802468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/feitio_15.html' title='Feitio'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2190510924807112186</id><published>2009-08-09T18:27:00.001+01:00</published><updated>2009-08-09T18:34:36.359+01:00</updated><title type='text'>Guerras... cada um tem a sua... -  Testemunho de um vencedor.</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/djcVNoqW_Ug&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/djcVNoqW_Ug&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" 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title='Guerras... cada um tem a sua... -  Testemunho de um vencedor.'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-9024950829597376930</id><published>2009-08-02T15:31:00.002+01:00</published><updated>2009-08-02T15:42:15.061+01:00</updated><title type='text'>Bilhetes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E guardo o bilhete com o teu nome e o teu número de telefone no volume amassado de papéis que se amontoam no compartimento da carteira especialmente destinado às coisas inúteis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá fica entre bilhetes de ida ou de volta, cartões de restaurantes agradáveis e papéis de movimentos desagradáveis como levantamentos e outras contas por rasgar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá fica entre bilhetes tirados em bilheteiras e outros papéis que já não esperam lotaria, que já não se podem remeter a uma tômbola, aguardando qualquer prémio a sortear.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá fica entre a tralha que já serviu para alguma coisa, que é de toda a forma testemunha de qualquer coisa, mas que já não tem serventia a assinalar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A aguardar que um outro bilhete calado, casual e descomprometido possa desarrumar a carteira e fazê-la esvaziar-se de toda a tralha inútil, em que no volume amassado de papéis que se amontoam o teu bilhete não terá qualquer importância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse outro bilhete não poderá ser adquirido em nenhuma bilheteira e a sua sorte não carecerá de qualquer tômbola ou sorteio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas será destinado a outro fim que não o das coisas inúteis, permanecendo enquanto a vida se amontoa de uma nova papelada por rasgar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E guardo o bilhete com o teu nome e o teu número de telefone à espera de já não precisar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-9024950829597376930?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/9024950829597376930/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/bilhetes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/9024950829597376930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/9024950829597376930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/08/bilhetes.html' title='Bilhetes'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2941739883286629194.post-2216927737978660915</id><published>2009-07-24T13:32:00.004+01:00</published><updated>2009-07-24T13:36:28.828+01:00</updated><title type='text'>Fronteira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentada entre as quatro paredes do carro, com a embraiagem em espera, mãos prontas a operar assim que surja o verde.&lt;br /&gt;Olho em frente e atravesso a fronteira.&lt;br /&gt;Vejo os carros a suceder-se num bailado atordoado, quase cómico, de pequenos andarilhos irrequietos, transportando as mais compenetradas figuras de todos os tamanhos e feitios.&lt;br /&gt;Após o colectivo vem o meu verde e com ele o meu solo no embaraçoso espectáculo.&lt;br /&gt;Deste lado da fronteira sei o ridículo a que nos sujeitamos.&lt;br /&gt;Significado flagrante de uma insatisfação e insegurança quase doentia de não se ver suficientemente válido nas próprias pernas para chegar onde quiser, de tal forma ser necessário o servil motor para transportar. No fluxo indecoroso onde 100 rodas iguais num único sentido substituem 50 pés diferentes com caminhos obtusos.&lt;br /&gt;E pergunto de forma recorrente por que razão há sempre uma fronteira entre o comprimento das pernas e o tamanho do local onde se pensa chegar.&lt;br /&gt;Por que razão haveria de haver uma razão nisto tudo...&lt;br /&gt;Aquela razão que vive no ponto que compõe a fronteira entre o que está e o que devia estar, entre o que se tem e o que se preferia ter, irremediavelmente mais perto daquele que se é do que desse outro que se sonha ser.&lt;br /&gt;Tonturas das lutas dos podres e dos poderes, passa-se mais tempo a trabalhar para o que não se consegue do que a conseguir o trabalho que lhe cabe.&lt;br /&gt;Mais tempo em torno da semente dos frutos de outra época do que dos galhos carregados de peças por colher.&lt;br /&gt;Nesta fronteira de ramos, folhas e recursos onde o tempo não pára de correr.&lt;br /&gt;Sigo a escrever sobre esse lugar onde nenhuma palavra ou máquina pode funcionar, vivendo do lado da linha onde não é suposto estar.&lt;br /&gt;E nestes momentos sinto-me como que sentada entre as quatro paredes do carro, esquecida de que sei andar, esperando o verde, para arrancar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2941739883286629194-2216927737978660915?l=cronicanarute.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicanarute.blogspot.com/feeds/2216927737978660915/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/07/fronteira_4523.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2216927737978660915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2941739883286629194/posts/default/2216927737978660915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicanarute.blogspot.com/2009/07/fronteira_4523.html' title='Fronteira'/><author><name>Ana Rute</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14558077228480437187</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_hWZ3EXrgKvw/S3M6oBhEbsI/AAAAAAAAACk/MCOzG1SAb3k/S220/IMG_5226.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
